Imperialismo e State-Capture
Post no Andrew Sullivan discute um artigo mostrando que as companhias de petróleo realmente passaram a mão no óleo dos iraquianos. Isso, exatamente do jeito que o PSTU diz. Imperialismo das antigas. Nada de sofisticadas formas foucaltianas de poder insidiosamente infiltradas na ordem política mundial, nada disso. Bando armado entra em país pobre e leva o que tem pra casa. Simples assim.
Agora, pensem no seguinte: do ponto de vista dos americanos como um todo, a guerra do Iraque foi um negócio horrendo: eles gastaram, em uma estimativa conservadora, 1 trilhão de dólares nesse troço, perderam toda a simpatia internacional com que contavam depois do 11 de Setembro, perderam milhares de jovens, e o preço do petróleo está mais caro do que nunca.
O fenômeno a ser explicado, portanto, é por que disfunção do sistema político americano um negócio tão obviamente vulgar – a captura do governo pelos interesses petrolíferos – conseguiu aprovação eleitoral.
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Salve, Na Prática.
Cheguei aqui pelo link no Hermenauta e gostei. Vou aparecer mais vezes.
A resposta para sua pergunta está em Mancur Olson: lógica da ação coletiva. Um grupo de interesse pequeno, mas coeso e bem-organizado, pode impor suas decisões sobre uma maioria dispersa e fragmentada. Se o pequeno grupo dispõe de alguns bilhões para gastar em lobby, propaganda e influência, tanto melhor.
Naturalmente, não se deve subestimar o favor que Bin Laden concedeu à extrema-direita americana com os atentados de 11 de setembro. O medo generalizado que se seguiu aos ataques criou um sentimento de vale tudo em nome da segurança (inter)nacional que muito beneficiou os neocons que cercam Bush. Eles vinham defendendo a ocupação do Iraque desde 1991, mas só o pânico da “guerra contra o terror” lhes deu a oportunidade de colocar sua agenda política no mainstream da opinião pública americana.
Bem, ou pelo menos foi isso que escrevi na minha dissertação de mestrado sobre o tema…
Abraços
Maurício, seja bem-vindo. É isso mesmo, quando publicar sua dissertação avise, que a gente quer ler. A propósito, vou subir seu comentário.