Bombas de Festim

15out06

Nas minhas contas, faz uns cinco dias que não acontece nada na campanha eleitoral, por isso as revistas semanais resolveram dar uma esquentada no clima. Na Veja a intenção de criar uma nova onda Alckmin antes que seja tarde é clara. Não estranharia se o conteúdo da Veja tivesse sido vazado para a Carta Capital, que também lança uma capa bombástica.

Vocês podem achar que eu estou ficando cínico (o que é injusto, eu sempre fui assim), mas eu não me impressionei com nenhuma das duas revistas, e, se alguém quiser comprar duas edições usadas por metade do preço, tô vendendo.

A Carta Capital desvenda o “complô que levou a eleição para o segundo turno”. Cá entre nós, nada que assuste. O procurador que foi atrás da operação tabajara é tucano (aliás, aparentemente, o único tucano que não abandonou a campanha de Alckmin), não tem um bom histórico em tratar os acusados (já manteve gente presa sem provas e as deixou fotografar como safados, e depois se verificou que não havia nada contra elas, como no caso dos madeireiros de MT), e, como se sabe, essa turma de agora estava na época do dossiê contra Roseana (ou seja, houve uma operação de contra-espionagem serrista). A imprensa conservadora foi parcial na cobertura, recusando-se, por exemplo, a mostrar a fita que era o pivô da discórdia (não há dúvidas de que mostraria se fosse com o PT).

Porra, eu fazia campanha pro Lula na época da Lurian, na época do “ele vai confiscar a poupança”, na época do “ele vai desvalorizar o câmbio”, na época do Ricúpero na parabólica (e da cobertura que se seguiu), e querem me impressionar com isso? Ah, valha-me Deus.

Por outro lado, a Veja vem dizendo que a tentativa petista de abafar o dossiê é pior do que o dossiê. Para provar isso, mostra que Freud Godoy já recebeu dinheiro do Marcos Valério, do Duda Mendonça (mas isso foi outro escândalo, não liga Lula ao dossiê), e alega (eu não duvido mais de nada) que Freud teria entrado irregularmente na PF para tentar convencer o tal do Gedimar a livrar sua cara (o que ele fez, inocentando, até agora, pelo menos, Freud Godoy). Veja dissemina a história de que Naji Nahas teria depositado uma grana na conta do Freud pouco antes da operação Tabajara. A história pode, perfeitamente, ser verdadeira, mas, como Veja mesma admite, é só um rumor, visto que só agora se pediu a quebra do sigilo bancário de Freud. Se for verdade, a Carta Capital já tem matéria para a próxima edição: quebra de sigilo bancário, com o que Palocci sai parecendo um cara bacana de novo.

Se o depósito de Nahas for verdadeiro, há uma história, mas a história será essa. A manchete dessa semana de Veja náo é sobre nada absolutamente perto de ser pior que o dossiê. Mas feriado é feriado.

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