Delfim e as crises externas de FHC

18out06

Delfim hoje, na Folha:

“UM DOS argumentos mais especiosos para explicar o desastroso crescimento da economia na octaetéride fernandista é que “ela enfrentou várias crises externas”. O fato em si é verdadeiro (houve, sim, uma crise asiática), mas a conclusão violenta a lógica! Se a simples repercussão da “crise asiática” fosse a “causa” do nosso baixo crescimento, o resultado natural seria que os países que sofreram diretamente a crise deveriam ter tido, pelo menos, as mesmas dificuldades de crescimento por um período no mínimo igual ao nosso.

Ora, aconteceu exatamente o contrário. Os que foram vítimas efetivas da crise (déficits em conta corrente insustentáveis) tomaram medidas enérgicas: resistiram, contrariaram ou modificaram profundamente o remédio que o FMI queria aplicar-lhes e saíram da crise quase imediatamente (eliminaram o déficit), com uma desvalorização cambial acompanhada por uma instantânea e profunda redução do crescimento do PIB. E qual foi o resultado? Praticamente voltaram a crescer, compensando, no primeiro ano, a redução causada pelo ajustamento!

E, em seguida, sustentaram um crescimento robusto, com inflação controlada e com taxa de câmbio real que transformou em superávit o déficit em conta corrente. Apenas para exemplificar, vejamos os dados da Coréia do Sul, que comprovam o que foi dito:O que o Brasil ainda perplexo precisa saber é por que um dos mais brilhantes planos de estabilização já concebidos (o Real) terminou de forma tão trágica? Somos o último colocado na “Olimpíada do Crescimento”, o primeiro lugar na “Olimpíada do Juro Real” e acumulamos o espantoso déficit em conta corrente de US$ 180 bilhões, que se arrastou durante oito anos até ser eliminado, já no governo Lula!

Suspeito que parte da resposta seja que se trocou a boa política econômica, programada, por uma triste herança histórica: um arranjo “faustiano” para arrancar do Congresso a reeleição sem desincompatibilização, que protege o poder incumbente quase sem apelação! O velho Nietzsche tinha razão: “Raramente erraremos se atribuirmos as ações extremadas à vaidade…”.

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