Monday Morning Quarterback

27out06

A expressão se refere ao cara que, na segunda de manhã, diz o que deveria ter feito o jogador de futebol americano no domingo. E é o que vamos começar a ver no campo oposicionista de agora em diante. O campeão do “eu te disse, eu te disse” é o Olavúnculo, que chega a ser enojante. Mas a tendência geral é a mesma: tinha que ter sido o Serra, tinha que ter batido mais (quando bateu caiu, porra), o Aécio tinha que ter feito campanha, a culpa é do Foro de São Paulo…

Rapaz, perdeu porque:

1) Lula fez um bom governo, em parte por competência, em parte por sorte (boa fase da economia mundial). Governante no cargo, com boa aprovação, só perde em circunstâncias completamente catastróficas, mesmo se o adversário for bom.

2) A crise ética só teria esse efeito todo se a população acreditasse que a oposição seria diferente no governo. Mas a oposição até outro dia (e, no caso do PFL, desde o descobrimento) era governo, e ninguém achava aquilo muito honesto, não. Teresa Cruvinel perguntou, no Roda Viva, se Alckmin se recusaria a fazer aliança com os partidos mensaleiros. Ele não respondeu. Alguém acha que dessa vez seria de graça?

3) A tropa oposicionista era dividida desde o primeiro dia. Os serristas nunca entraram na campanha, exceção feita ao César Maia, que foi traído vergonhosamente no segundo turno. Aécio até que fez mais do que se esperava (a diferença pró-Lula em MG acabou sendo muito menor do que se imaginava), mas não estava disposto a morrer pela causa, não. FHC lança uma carta admitindo derrota no meio da coisa toda. No segundo turno piorou, porque Alckmin, para ganhar votos de HH e CB (o que tinha que fazer), acabou condenando ao silêncio seus apoiadores mais convictos. Nesse exato momento, não há um político brasileiro apoiando Geraldo Alckmin para presidente.

4) Parte do braço de mídia errou na mão. A Veja, em especial, apostou que o dano a Lula seria fatal, e que valia partir para a tática de destruição (lembrem-se da edição “Era vidro e se quebrou”). Isso é falta de espírito democrático. Ninguém acha que o partido republicano americano vai acabar por causa de Bush, e, principalmente, ninguém na mídia democrata se atreve a defender isso.

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