Scheinkman

29jan07

O José Alexandre Sheinckman, economista brasileiro fodão que dá aula em Princeton, publicou na Folha uma boa crítica do PAC. Melhores momentos, depois de reconhecer que investir é mesmo importante, havia a carência mesmo de investimento público em infra-estrutura, etc. :

“A ausência de uma proposta ambiciosa para atrair o capital privado parece refletir uma atitude ideológica de Lula 2 que, felizmente, estava menos presente no primeiro mandato -a de que o governo precisa ter um papel ainda mais ativo como investidor em “áreas estratégicas” e no direcionamento dos investimentos privados. As ambições do atual governo para o papel do setor público na economia defrontam-se com a sua incapacidade fiscal. Mesmo com a queda do superávit primário, o nível de despesas correntes deixa pouco espaço para financiar investimentos. Como a carga tributária já é absurda, o PAC se contenta com apenas R$ 67 bilhões de verbas públicas para este ano.”

Ou seja, o governo não tem muito dinheiro pra fazer muita coisa. Poderia, então, tentar melhorar a coisa criando um ambiente de negócios melhor, por exemplo, contendo o gasto público (que bate na taxa de juros):

“No final de 2005, após três anos em que o superávit primário, a exemplo do que já ocorria no governo de Fernando Henrique Cardoso, foi mantido por meio de aumentos na arrecadação, os ministros Antonio Palocci Filho e Paulo Bernardo propuseram que as despesas correntes crescessem menos que o PIB por pelo menos uma década. Isso permitiria elevar os investimentos públicos e diminuir a carga tributária sem ameaçar o equilíbrio fiscal. Setores do governo pareciam encampar uma sugestão análoga do ex-ministro Delfim Netto de zerar o déficit nominal, isto é, já computados os juros. Infelizmente, essas propostas foram esquecidas, vítimas do “fogo amigo” da ministra Dilma Rousseff e da crise política. Em seu lugar, há uma promessa do governo de limitar o crescimento dos gastos com o funcionalismo em 1,5% ao ano mais o IPCA. O impacto dessa regra na participação dos gastos do governo no PIB vai depender do crescimento da economia, mas, se o país crescer 3% ao ano nos próximos dez anos, essa medida resultará em uma queda de menos de 1% das despesas do governo como proporção do PIB em 2016. “

E faltou a previdência, a reforma tributária, etc. Concluindo:

“Escrevi no final do ano passado que o presidente Lula parecia ter adotado uma agenda minimalista. Fui injusto. É verdade que a música de John Cage ou a arte de Donald Judd têm uma aparência de simplicidade, mas são produto de um alto grau de imaginação e disciplina, qualidades que faltaram aos autores do PAC”

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