Polêmica sobre Unger

23abr07

Como era de se esperar, muita gente chamando atenção para o fato de que o Unger (1) pediu o impeachment do Lula ano passado, e (2) se aliou a adversários ferrenhos do governo, como o onipresente Daniel Dantas. Dois exemplos de comentário:

Mino Carta:

“Corre o rumor de que o professor Mangabeira Unger, da Universidade de Harvard, seria candidato do presidente Lula para um cargo inédito, conquanto relevante. Dizem tratar-se de um ministério cuja denominação há de ser ainda encontrada. Algo assim como o ministério do livre-pensar, ou do futuro. Altamente estratégico. Mangabeira é figura de grande cultura, é inegável, e até integra a Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos. Não entenderia, porém, a escolha do presidente à luz de outras razões. Em primeiro lugar porque Mangabeira militou ativamente na vanguarda do exército neo-udenista e tucanizado que tanto se empenhou para levar às cordas o governo no final do primeiro mandato de Lula. E, se possível, atirá-lo fora do ringue ao sabor de swings e uppercuts. De fato, em textos candentes, Mangabeira, do alto do seu saber jurídico, advogou o impeachment do presidente. Conheço-o há muito tempo, desde quando me remetia dos Estados Unidos cartapacios manuscritos de leitura nem sempre fácil. Tive com ele relacionamento próximo mais recentemente, quando funcionou com advisor (é a palavra certa) de Ciro Gomes candidato à presidência, no ocaso do governo de Fernando Henrique Cardoso. Tinha bastante consideração por ele, embora nem sempre entendesse suas falas por causa do sotaque de Massachusetts que o caracteriza e que cultiva com indisfarçável desvelo. Dos baixios da minha ingenuidade descobri tardiamente a sua ligação com Daniel Dantas, o banqueiro orelhudo, da qual cuidara de jamais me falar. Fez trabalhos importantes para Dantas, pagos regiamente com os dólares da Brasil Telecom, e o hospeda quando o banqueiro vai aos EUA. Essa situação ensombreceu meu espírito e me sugeriu manter de Mangabeira larga distância.”

Elio Gaspari

“O professor Roberto Mangabeira tem dois códigos no seu DNA. Um é a impaciência. O outro é o respeito pela opinião alheia, exigido por 37 anos de magistério em Harvard.Se ele se relacionar com o Instituto de Pesquisa e Economia Aplicada, o Ipea, com o DNA de Harvard, a administração pública sai ganhando.Se prevalecer o código da egolatria, vai haver confusão, da boa. No Ipea, é feio um acadêmico sumir com textos que pareceram oportunos quando foram publicados e, com o tempo, tornam-se inconvenientes.No dia 15 de novembro de 2005, Mangabeira publicou na Folha seu conhecido artigo-manifesto intitulado “Pôr fim ao governo Lula”. Pegava pesado: “Afirmo que o governo Lula é o mais corrupto de nossa história nacional. (…) Afirmo ser obrigação do Congresso Nacional declarar prontamente o impedimento do presidente”.O professor mudou de opinião, mas não lhe fica bem o sumiço desse texto na coleção de quase 300 artigos que mantêm na internet.”

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