Panopticon

17out07

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A propósito, falando em Foucault, lembrei de um negócio legal que eu li faz um tempo. Um maluco escreveu um livro muito bom, “Rational Ritual”, que pega um monte de temas de teoria social e lhes aplica uma dose de teoria dos jogos. Um deles é o Panopticon, do Bentham, citado pelo Foucault (e pelo Matias no filme).

O Panopticon é um modelo de prisão em que as celas estão dispostas circularmente, de maneira que os guardas em uma torre central têm visão perfeita de todas elas ao mesmo tempo. Os presos não vêem os guardas na torre, de modo que, em princípio, os guardas poderiam mesmo sair pra dar uma volta de vez em quando sem que ninguém soubesse. O Panopticon permitiria total visibilidade, e, portanto, controle, dos prisioneiros, e por isso foi escolhido pelo Foucault como símbolo da sociedade da disciplina.

O que o Chwe faz é discutir se o Panopticon seria mesmo eficiente, e, aparentemente, não é, não. Poucas prisões foram construídas segundo o modelo, mas, se lembro bem, elas têm um problema sério (cito de cabeça, li faz uns cinco anos): se alguém conseguir, de alguma forma, começar uma rebelião, todo mundo fica sabendo (porque os presos também vêem quase todos os outros o tempo todo), o que aumenta em muito a chance de sucesso da rebelião. Se eu estiver lembrando errado, podem ter certeza de que a explicação original é melhor.

Quais as implicações disso para a interpretação do Foucault sobre a sociedade moderna? Sei lá. Acho que é o seguinte: os indivíduos disciplinados também podem aprender uns sobre os outros (através do conhecimento gerado pelas disciplinas) e coordenar suas ações. Daí que a disciplina sempre gera instabilidade e nunca é perfeita. Algo assim.  Se alguém conseguir desenvolver isso será legal.

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One Response to “Panopticon”

  1. Já que este é um dos post mais acessados, apesar de antigo, merece um comentário.
    A “resposta” está no próprio “Vigiar e Punir”:
    “Em certo sentido, o poder de regulamentação obriga à honmogeneidade; mas individualiza, permitindo medir os desvios, determinar os níveis, fixar as especialidades e tornar úteis as diferenças, ajustando-as umas às outras. Compreende-se que o poder da norma funcione facilmente dentro de um sistema de igualdade formal, pois dentro de uma homogeneidade que é a regra, ele introduz, como um imperativo útil e resultado de uma medida, toda a gradação das diferenças individuais.”
    E ainda:
    “O indivíduo é sem dúvida o átomo fictício de uma representação ‘ideológica’ da sociedade; mas é também uma realidade fabricada por essa tecnologia específica de poder que se chama a ‘disciplina’. Temos que deixar de descrever sempre os efeitos de poder em ternos negativos: ele ‘exclui’, ‘reprime’, ‘recalca’, ‘censura’, abstrai’, ‘mascara’, ‘esconde’. Na verdade o poder produz; e ele produz realidade; produz campos de objetos e rituais da verdade. O indivíduo e o conhecimento que dele se pode ter se originam nessa produção.”

    Depois, quando eu falo que o estruturalismo é hegeliano, parece que ninguém entende.


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