Feliz Ano Novo!

31dez07

São os votos do armazém e armarinho NPTO. De presente para vocês, o poema “Benediction”, de Stanley Kunitz, na tradução deste seu humilde servo.

Benção

 

Deus expulse da sua casa

Mosca, rato e barata

 

Que agitam-se entre as paredes

Até que o gesso ceda

 

E espante de sua porta

O mentiroso e o hipócrita;

 

Nenhum medo suave, tímido ou feroz

permita que suba suas escadas

 

E quem te faça duvidar.

Que Deus os ponha a correr e a gritar.

 

Que nada que o mal tenha tocado,

Ou o que possa ter murchado

 

O mais suave folhagem do coração, entre

em seu sangue profundo e imóvel

 

Contra o sereno da noite

Deus mantenha as janelas fechadas

 

E proteja seus espelhos

de surpresas e delírios,

 

E que o vento pertubador não vente

Em sua bem trancada mente

 

Para atormentar o lago do sono

com sonhos. Se for o caso de choro,

 

Deus lhe dê lágrimas, mas lhe deixe

que enlute em seu segredo

 

E ilhas para seu orgulho;

E o amor aninhado a seu lado.

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One Response to “Feliz Ano Novo!”

  1. 1 Felipe Basto

    Receita de Ano Novo

    Para você ganhar belíssimo Ano Novo
    cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
    Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
    (mal vivido ou talvez sem sentido)
    para você ganhar um ano
    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
    novo
    até no coração das coisas menos percebidas
    (a começar pelo seu interior)
    novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
    mas com ele se come, se passeia,
    se ama, se compreende, se trabalha,
    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
    não precisa expedir nem receber mensagens
    (planta recebe mensagens?
    passa telegramas?).
    Não precisa fazer lista de boas intenções
    para arquivá-las na gaveta.
    Não precisa chorar de arrependido
    pelas besteiras consumadas
    nem parvamente acreditar
    que por decreto da esperança
    a partir de janeiro as coisas mudem
    e seja tudo claridade, recompensa,
    justiça entre os homens e as nações,
    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
    direitos respeitados, começando
    pelo direito augusto de viver.
    Para ganhar um ano-novo
    que mereça este nome,
    você, meu caro, tem de merecê-lo,
    tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
    mas tente, experimente, consciente.
    É dentro de você que o Ano Novo
    cochila e espera desde sempre.

    Carlos Drumond de Andrade
    Texto extraído do “Jornal do Brasil”, Dezembro/1997.


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