Guga

28fev08

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Que Gustavo Kuerten é um gênio, ninguém duvida. Ao menos, não me lembro de nenhum jornalista, por mais leigo que fosse, dizendo algo negativo sobre o Guga. No máximo um “isso tudo é no saibro, vamos ver quando começar a temporada de pisos rápidos”. A esses, Guga respondeu com resultados incríveis nas quadras rápidas, incluindo até as quartas-de-final em Wimbledon no ano de 99.

Com o início da turnê de despedida de Guga, vale a pena situá-lo no mundo (pequeno) dos grandes tenistas de seu tempo. Para isso, comparei-o com todos os tenistas que foram número 1 do ranking no período em que ele jogou, ou seja, de 96 para frente. Os critérios de comparação foram: total de semanas como número 1 na carreira, total de semanas consecutivas como número 1, longevidade no topo (medida pelo tempo decorrido em meses entre a primeira e a última vez que o jogador foi número 1) e número de Grand Slam conquistados. Seguem os resultados:

Total de semanas como nº 1

       
1   ROGER FEDERER 184
2   PETE SAMPRAS 154
3   ANDRE AGASSI 88
4   LLEYTON HEWITT 68
5   GUSTAVO KUERTEN 36
6   ANDY RODDICK 9
7   MARAT SAFIN 8
8   JUAN CARLOS FERRERO 8
9   MARCELO RIOS 6
10   YEVGENY KAFELNIKOV 5
11   CARLOS MOYA 1
12   PATRICK RAFTER 1

Semanas consecutivas como nº 1
       
1   ROGER FEDERER 184
2   PETE SAMPRAS 86
3   LLEYTON HEWITT 64
4   ANDRE AGASSI 44
5   GUSTAVO KUERTEN 27
6   ANDY RODDICK 9
7   JUAN CARLOS FERRERO 8
8   YEVGENY KAFELNIKOV 5
9   MARAT SAFIN 4
10   MARCELO RIOS 4
11   CARLOS MOYA 1
12   PATRICK RAFTER 1

Longevidade no topo (meses)
       
1   ANDRE AGASSI 101
2   PETE SAMPRAS 92
3   ROGER FEDERER 49
4   LLEYTON HEWITT 20
5   GUSTAVO KUERTEN 11
6   MARCELO RIOS 5
7   MARAT SAFIN 5
8   ANDY RODDICK 2
9   YEVGENY KAFELNIKOV 1
10   JUAN CARLOS FERRERO 1
11   CARLOS MOYA 0
12   PATRICK RAFTER 0
  * aproximadamente  

Títulos de Grand Slam
       
1   PETE SAMPRAS 14
2   ROGER FEDERER 12
3   ANDRE AGASSI 8
4   GUSTAVO KUERTEN 3
5   MARAT SAFIN 2
6   LLEYTON HEWITT 2
7   YEVGENY KAFELNIKOV 2
8   PATRICK RAFTER 2
9   CARLOS MOYA 1
10   JUAN CARLOS FERRERO 1
11   ANDY RODDICK 1
12   MARCELO RIOS 0

Conclusões (ou melhor, percepções):

ü       Guga é realmente um fenômeno. Com uma carreira curtíssima em comparação aos outros, entrou para o rol dos 5 gênios de seu tempo;

ü       Tirando os “deuses”, Guga tem resultado muito superior aos outros tenistas. Federer, Sampras e Agassi são realmente demais.

ü       Federer já é o maior de todos, mesmo estando ainda no meio da carreira (tem só 26 anos!)

ü       Dos top 5, o Lleyton Hewitt talvez seja subestimado. Seus resultados parecem ser muito maiores do que se costuma reconhecer. Talvez pelo seu temperamento. Fato é que o cara é bom mesmo.

ü       Por fim, apesar de inócua e talvez cruel, não dá para deixar de fazer a pergunta: se Guga não tivesse os problemas de quadril, onde ele estaria nessa galeria?

(copyleft: Fabio)

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6 Responses to “Guga”

  1. 1 Arthur

    Olá, sou leitor habitual daqui e esse é, eu creio, meu segundo comentário. O Guga foi sim um grande fenomeno! Onde teria chegado se nao tivesse se contundido? Nao sei. As geracoes que seguiram o Guga sao muito rapidas dentro de quadra, muito mais que o Guga foi em algum momento…Mas nao tem a potencia que o forehand e especialmente o backhand do Guga tinham…Ou seja, é imprevisível….

    Sobre o Federer e o fato desse ser o maior de todos eu discordo. Nao dá para avaliar. Se de um lado, o cara tem as melhores estatísticas de outros ele enfrentou menos grandes jogadores. Hoje o numero 1 tem como rival o Nadal que é maioral no saibro e talvez o Djokovic…

    Na época do Sampras, por exemplo, havia mais diversidade entre os jogadores. De modo que poderia nao existir alguem que, no geral, o superasse, mas em pisos especificos existiam jogadores que eram capazes de superar o numero 1 ou qualquer outro jogador. O Sampras era o numero 1, mas em quadras de saibro ele enfrentaria ossos duro como Moya, Corretja, Guga, Muster e Rios. Na grama, ele teria que lidar com o saque do Ivanisevic, com o saque-e-voleio do Becker e do Edberg. No piso duro, tinha o Rafter que, por exemplo, ganhou dois títulos de US Open fantásticos sobre os grandes. E em qualquer piso e em qualquer hora existia o Agassi que é muito maior que qualquer adversário do Federer. Hoje existe, na verdade, uma meia-dúzia de Hewitts, muito rápidos, mas que tem um jogo que nao varia muito, 95% do tempo no fundo da quadra e com saques razoáveis. Na mais que Changs melhorados….E nada que tenha incomodado o Sampras em sua carreira…

  2. 2 Pera

    É, também acho que comparar Federer e Sampras é complicado. Dá para dizer que o Federer pegou uma época de transição, já que Nadal e Djokovic – os dois caras que provavelmente vãos ser gênios – têm 21 e 20 anos ainda.

    Tem também o fato de que os superespecialistas estão sumindo. O Nadal tem jogado muito na grama já faz tempo, o Federer praticamente só perde para o Nadal no saibro também já faz tempo, os sacadores tipo Roddick estão na descendente e os espanhóis do saibro não conseguem se firmar entre os 10 primeiros. Os jogadores hoje são menos perigosos em um determinado piso, mas são em média mais completos. Assim, não sei se o Federer pegou moleza ou, numa época em que todo mundo se vira em qualquer piso, o melhor deles acaba levando tudo. Tenho a sensação de que foi mais o Federer que sufocou os outros tenistas com seu talento.

    O Guga pegou gente das duas épocas: os especialistas e alguns caras que mandavam bem em todos os pisos. Já perdeu feio para o Hewitt no saibro e, por outro lado, ganhou do Sampras e do Agassi no Masters, piso rápido.

  3. 3 napraticaateoriaeoutra

    Valeu, Arthur, pela audiência, e pelo comentário que em muito excede minha capacidade de responder :p E valeu Fábio, por ter feito o post e respondido o comentário.

  4. 4 Arthur

    Prezado, voce disse tudo. Nao é uma questao dos jogadores atuais serem piores ou melhores que há alguns anos atrás. É uma questao deles serem mais padronizados.

    Tenis tem isso. Tem jogo que encaixa com o seu e tem jogo que nao encaixa. Logo, estatisticamente, quanto maior for a quantidade de estilos maior será a probabilidade de voce pegar um jogador com estilo que nao é comfortavel para voce. Além disso, quanto maior a dispersao de desempenho entre pisos maior a probabilidade de um jogador que é na média pior que voce, ganhar de ti em determinado piso.

    Logo, diante desse padronizacao, acaba que o melhor dos tenistas aumenta sua probabilidade de levar tudo. Pena que com isso (e apesar da incrível habilidade do Federer) o tenis ficou mais monotóno. Ou senao eu fiquei mais velho, exigente e chato. Pode ser também….

    Abs

  5. 5 Roberto Josino

    Creio haver engano de Pera. O Guga perdeu apenas uma vez para o Hewitt, no saibro, na Copa Davis, em Florianópolis, com dois tie-breaks. Nada de perder feio. Rafter afirmou, à época, que foi a maior façanha do companheiro – terem conseguido (ambos) bater o Brasil, em Florianópolis, no saibro.
    Abraços,
    Roberto

  6. 6 Pera

    Tem razão, Roberto. Não dá pra dizer que foi feio. Porém, o Guga era favorito e a derrota por 3 a 0 não era esperada. Usei o exemplo para falar da versatilidade dos jogadores. No caso do Guga, ganhar do Sampras e do Agassi na sequência foi igualmente surpreendente.

    Lembro-me bem da frustração que foi ver o Guga perder aquele jogo. A chance do Brasil era o Guga ganhar os dois jogos e torcer para o Meligeni tirar um ponto do Rafter, o que não era impossível. Com a derrota para o Hewitt, dançamos.


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