Crise Econômica (2)

04abr08

Ainda no esforço de compreender melhor a situação da crise, li esse artigo do Nouriel Roubini, um cara que definitivamente faria bem em tomar umas maracujinas, porque o artigo é, basicamente, sobre como a crise americana vai afundar todo mundo. Que beleza.

Os argumentos do cara são:

1 – os outros países dependem de vender para os EUA. Com a recessão americana, esses caras vão ficar sem dinheiro. Por exemplo, nós. Nós vamos ficar com menos grana, porque não vai ter os americanos aí pra comprar nossos produtos.

2 – O dólar fraco vai piorar ainda mais a situação da turma que vende para os EUA.

3 – Bolhas imobiliárias já começaram a estourar ao redor do mundo (aliás, será que não tem um negócio desses aqui, não?)

4 – Os EUA não comprando da China, a China fica com menos grana pra comprar commodities dos outros países.

5 – Outras bolsas de valores vão ser contagiadas pela queda nos EUA.

6- O dólar não pode enfraquecer tanto que acabe com o estímulo dos estrangeiros que compraram títulos da dívida dos EUA (leia-se: China).

O ponto 6 me parece bem importante, porque, se não fosse por ela, o declínio nos EUA poderia ser revertido quando o dólar caísse o suficiente (acho eu). Mas, dado o ponto 6, ele não pode cair muito.

Agora, há algumas possibilidades não exploradas. Por exemplo, será que a China não consegue manter um crescimento bom (mesmo que menor) com base no mercado interno? Ou: será que não vale a pena a China sair comprando coisa nos EUA, como os fundos soberanos têm feito? Se o dólar cair sem quebrar o país com a história dos títulos, os produtos americanos podem se tornar mais competitivos e reaquecer a economia americana, o que aliviaria a crise.

Mas, realmente, o cenário não parece bom.

Só uma última observação: ajudaria se a imprensa parasse de perguntar “a crise vai afetar o Brasil?” e passasse a perguntar “O quanto vai afetar?”. Claramente, alguns economistas, principalmente do governo, respondem que não vai afetar nada (o que é ridículo) porque têm medo da manchete “Mantega diz que estamos ferrados e recomenda estocar alimentos”.



2 Responses to “Crise Econômica (2)”

  1. 1 André

    O seu argumento sobre o ponto 6 matou a pau. A China vai continuar crescendo bem, talvez não na velocidade absurda de 11% ao ano. Mas o próprio PC Chinês já queria diminuir esta taxa pra 8%. Então tá beleza. Segundo: os chineses têm uma poupança interna absurda e um nível de reservas internacionais de US$ 1 trilhão. Isso tudo pode ser usado: a poupança pra virar consumo e as reservas pra virarem investimentos em ativos internacionais.

    Que a crise norte-americana vai trazer um impacto pro mundo inteiro, isso não há dúvida. Mas China e EUA estão hoje ligados umbilicalmente e a situação econômica mais cômoda da primeira ajudará os yankees a se recuperarem. Aliás, os próprios EUA já deram o sinal: China, consumam coisas da gente, pelo amor de Deus! E os chineses o farão. E tem mais: não adianta comparar a situação atual com o quinquênio 2002-2007. Esta foi uma das épocas de maior bonança econômica mundial: crescimento vigoroso sem inflação e aumento do mercado global. Pô, se nego começar a comparar 2008 com estes cinco anos, obviamente o crescimento do ano atual será menor, a inflação será maior, etc, etc…

    Ah, teorias apocalípticas de Roubini…

  2. André, concordo com você, comparar com o quinquênio 2002-2007 é meio covardia. Mas vamos ver, muita coisa ainda pode dar errado (que beleza).


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