Crise Econômica (3): Greenspan

04abr08

Ótimo artigo na FP sobre o Greenspan. Em resumo: o cara é fodão por ter percebido a explosão de produtividade americana e não ter freado o crescimento, é fodão por ter encarado o crash dos anos 80 logo depois de assumir o FED, mas pode ter mandado mal na bolha de 2000, e isso pode nos impactar agora.

O interessante é que o artigo é do começo de 2005, e já vê problemas que estamos vivendo hoje:

“In early 2004, Greenspan gave a speech to the American Economic Association, arguing that the Fed should feel vindicated in its efforts to contain the 2000 stock market shakeout. By slashing the federal funds rate—the interest rate at which the Fed lends money to other banks—by 5.5 percentage points between January 2001 and June 2003, the Fed limited the severity of the recession that followed the burst of the bubble.

That cure may cause bigger problems down the road. Bubbles have developed in other asset markets (especially corporate bonds, mortgage-backed securities, and emerging-market debt). And Greenspan’s rock-bottom interest rates have led to the biggest bubble of all: residential property. Annual inflation in U.S. home prices is now running at a 25-year high of 8.8 percent, with 15 states experiencing double-digit increases in residential property values between mid-2003 and mid-2004.

At the same time, the home-buying and consumption binge has put individual Americans deeply in debt. Greenspan takes comfort that rising home values compensate for increased borrowing, but that rationalization assumes a permanence to rising property prices that belies the long history of volatile asset markets. So far, the Fed and debt-addicted U.S. homebuyers have bucked the odds. Over the last four years, debt accumulated by U.S. families was 60 percent larger than overall U.S. economic growth. Many households in the United States now spend near record-high portions of their monthly incomes on interest expenses, leaving consumers in a precarious position should either interest rates increase or the growth in incomes slow.”

Stephen S. Roach, autor do artigo era economista-chefe do Morgan Stanley na época da publicação (e suspeito que ainda esteja bem de vida).

Se o que ele diz for verdade, há um outro complicador: a bolha saiu do mercado de ações, para setores em que o FED não tem muitos instrumentos para agir, como o mercado imobiliário.

Sei lá.



5 Responses to “Crise Econômica (3): Greenspan”

  1. Celso,
    O Stephen Roach hoje é o responsável pelo Morgan Stanley Asia. Ele fica em Hong Kong. É um sujeito quase tão pessimista quanto o Nouriel Roubini, embora isso pareça impossível. Se metade das previsões do Roubini se concretizar, nós voltaremos para a época do escambo.
    PS: O Filthy McNasty, que abrilhanta o time do Apostos, deu talvez a melhor explicação para o começo da crise americana. O exemplo que ele deu é tão bom que eu vou reproduzir um trecho:

    “Entender a crise não é fácil (vide as tentativas de David Leonhardt, em um excelente artigo para o NYT), mas permitam-me oferecer um similar nacionar pesquisado pelo nosso intrépido correspondente Fudílson Noronha. É assim: o seu Sebastião tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça “na caderneta” aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o preço que os pinguços pagam pelo crédito). O gerente do banco do seu Sebastião, um intrépido administrador formado em curso de emibiêi, decide que, yo, a caderneta das dívidas do bar constitui, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia. Uns seis zécutivos e bancos mais tarde, a caderneta do seu Sebastião se transformou em CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer, e está sendo negociada como se fosse título sério nos mercados de 33 países. Até que alguém descobre que os bêubo da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar a conta do boteco.”

    Um abraço,
    Marcos

  2. 2 André

    Olha Dr. NaPrática, o resumo que o Marcos colocou tá perfeito. E vou dizer mais: são depois de momentos de liquidez absurda que vêem as crises econômicas. É a tal da “exuberância irracional” ou as “Manias, Pânicos e Crashes” do livro do Kindleberger que trata das crises nos mercados acionários.

    Temos que ver os seguintes: bancos, fundos de investimento e mais o escambau o quatro tavam cheios de grana numa época em que o mundo só crescia com inflação controlada. Pô, o administrador de tais instituições tem que gerar resultado pros caras absurdamente ricos que investem. Aí vem uma determinada ordem de investimentos a fazer:
    1°- Títulos do tesouro norte-americano: não rendiam nada pois seu juro real era 0 ou negativo;
    2°- Ações da bolsa dos EUA: rendiam um pouco mais, valia a pena botar grana lá (e os caras colocaram);
    3°- Títulos soberanos de emergentes: foram caindo o rendimento aos poucos com a diminuição das taxas de juros deles (o Brasil ainda continuou sendo o que tinha o maior juro real de todos);
    4°- Ações da bolsa de emergentes: uh rapaz, aí o negócio tá mais quente, é só ver a Bovespa;
    5°- Mercados de derivativos: vixe, esse pegou fogo, nego tava ganhando pra caramba aí;
    6°- Todo e qualquer produto financeiro criado pela cabeça inventiva dos analistas de mercado: pronto, quando chegaram aí é que as coisas ficaram feias. Isso aí rendeu demais! Ou você acha que os grandes bancos norte-americanos reconheceram perdas astronômicas por qual motivo? Estavam todos na ciranda das hipotecas. E ganharam muito com isso. Mas o negócio foi pro saco… podia ter sido qualquer outra coisa também, como foram as tulipas holandesas no século XVIII (se não me engano).

    Se o Greenspan demorou a intervir, já te disse que não sei. Agora se ele botasse quente há uns atrás, ele pararia não só os negócios das hipotecas mas uma grande porrada de coisas que existem no mercado financeiro. Será que ele conseguiria isso? Sei lá.

    E mesmo o texto sendo de 2005, te digo o seguinte: se formulador de políticas ler jornal todo dia e der atenção pros arautos do caos (como o Roubini por exemplo, que acha que agora o mundo acabou), aí ele não faz mais porra nenhuma. Ou aliás, faz sim. Vira um cachorro louco que não tem tranquilidade nenhuma para agir.

    Abraços,

  3. Grandes e doutos Marcos e André!

    Valeu pelos comentários, com os quais concordo inteiramente. Mas ainda estou encafifado com essa coisa do Greenspan: financista vai inventar sacanagem, ponto. Isso é um dado. O que eu suspeito é que a queda dos juros promovida pelo Greenspan tenha contribuído para isso, por exemplo, ajudando a refinanciar as hipotecas. Mas ainda não sei, não.

    Ah, Matamoros, o comentário do McNasty é excelente, preciso linkar esse cara.


  1. 1 A réplica de Alan Greenspan « A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM
  2. 2 Greenspan responde « Na Prática a Teoria é Outra

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