Peso Real

10abr08

Saiu no DCI: Paulo Guedes e Ciro Gomes falando da criação de uma moeda para a América do Sul, o Peso Real:

“O economista e sócio majoritário da BR Investimentos, Paulo Guedes, defendeu ontem a adoção de uma moeda única na América do Sul, que denominou “peso-real”. Segundo ele, mais do que essa moeda, se criaria uma agenda de modernização no Brasil. “A social-democracia tem muita dificuldade de fazer as reformas necessárias. Temos uma legislação trabalhista obsoleta, encargos previdenciários excessivos e precisamos de uma reforma fiscal. Com a integração, seríamos obrigados a rever tudo isso”, garantiu Guedes durante apresentação no 21º Fórum da Liberdade, realizado em Porto Alegre pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE).

Atualmente, para adquirir produtos de nossos vizinhos, um processo complexo tem de ser seguido. O importador brasileiro precisa efetuar depósito em um banco internacional e pagar o exportador em dólares. Depois os dólares chegam nesses países e são convertidos na moeda local. Da mesma forma, chegam ao Brasil e são convertidos em reais. O mais preocupante, no entanto, é que se não houver dólares, como no caso da crise cambial de 2002, não há comércio bilateral. Guedes elenca três grandes blocos que se baseiam em três moedas. “Hoje há uma zona de influência do dólar, que é a América do Norte, tem a área do euro, na Europa, e a região asiática, com a China. Enquanto isso Brasil, Paraguai e Argentina ficam cada um no seu pequeno esforço, em pequena escala. Vamos fazer convergir as políticas tributarias e as políticas trabalhistas” , afirma. “Já que do ponto de vista geopolítico o presidente Lula tem sido tão hábil e ele já firmou uma liderança no continente, essa política pode se substancializar para a formação de uma área econômica mais forte”, completa.

A idéia de Guedes, que foi um dos fundadores do Banco Pactual, é compartilhada pelo deputado federal Ciro Gomes (PSB/CE). “Essa idéia [moeda regional] estava originalmente pensada, mas fomos interrompidos pela roda da dolarização. Mais importante não é entender a moeda regional. Essa é a consumação de um esforço de convergência das condições de empreender. Se você faz isso, temos uma dinâmica extraordinária que dará uma força de coesão na América do Sul. Além disso, dará sinais de que aqui é um megamercado regional e vai coibir as ações generalistas” , diz Ciro que também esteve no Fórum da Liberdade.

Para Guedes, esse movimento é essencial para o País frente à globalização. “Nós não vamos escapar de um aspecto da globalização que é justamente a intensificação da competitividade, principalmente porque há três milhões de euro-asiáticos que entraram no mercado de trabalho global e eles vem com baixos encargos sociais e trabalhistas. Nós já estamos sentido isso”, afirma o economista ao dar exemplos desses efeitos.

“A primeira informação é agradável, que é o preço das commodities lá em cima. Mas a segunda informação é do cambio baixo, mostrando que os brasileiros estão mais ricos com a moeda mais forte. Na medida em que a moeda vai descendo, vai deixando exposta nossa fragilidade em vários setores, como moveleira, calçado, têxtil, entre outros setores. Essa vulnerabilidade começa a aparecer e aí precisamos pensar em modernização”.

Tanto Ciro quanto Guedes acreditam que uma moeda única daria mais poder de negociação à América do Sul. “Eu acho que para o Brasil seria importante, e para a América Latina inteira. Por um lado recuperaríamos a Bolívia, Venezuela e o Equador, que estão indo para uma direção que afundou. O liberalismo clássico também afundou por não reconhecer esse traço da sociedade que é a solidariedade” , opina Guedes.

Para Ciro, com a formação de um bloco único, “nós [o Brasil e os países da América do Sul] entraremos em coordenação para a criação de uma moeda e realmente um mercado comum. Isso significa que teremos que coordenar nossas políticas fiscais, monetárias, especializar a política industrial e o comercio exterior, combinar a política comum de relacionamento com terceiros mercados, combinar regime previdenciário de mobilidade da força de trabalho. Isso é trabalho para 10 anos no mínimo, mas a dinâmica é incrível”, avalia.”

Eu sou favor da integração Latino-Americana, mas devo dizer que, se for para nos inserirmos em alguma grande entidade geográfica, tenho muita simpatia também pelo Atlântico Sul.



12 Responses to “Peso Real”

  1. O Paulo Guedes é conhecido como Beato Salu. A idéia me parece totalmente inaplicável. O Mercosul tem pretensões de ser uma união aduaneira, mas mal consegue ser uma área de livre comércio. Imagine ter uma moeda única, que implica uma convergência macroeconômica complexa e um banco central único? O Banco Central brasileiro vai aumentar os juros já elevados porque há um risco muito discutível de a inflação superar o centro da meta. Na Argentina, a inflação corre solta, o BC não faz quase nada e o país manipula os índices de preços. É a típica idéia que não tem como não dar errado
    Um abraço,
    Marcos

  2. 2 André

    Olha, tanta coisa boa pros caras proporem e eles falam estas besteiras. Realmente lamentável. Pra ter moeda comum, tem que ter Bacen comum. Você imagina um BC da América do Sul em 100 anos? Impossível.

    Se o Mercosul (que já não é essas coisas todas) é uma trairagem absurda, imagina este BC sul-americano! Óia, quanta besteira…

    Abraços,

  3. Marcos, André, realmente não tem cara de ser muito factível a médio prazo. Se bem que eu acho que, se não fosse a instabilidade dos Andes, talvez fosse. O que falta mesmo é algum grau de consenso macroeconômico.

  4. 4 Felipe Basto

    “Essa idéia [moeda regional] estava originalmente pensada…” O que o marido da Patricia Pillar quis dizer com isso? Quando ele foi ministro do Itamar? Em alguma das campanhas? ou quando foi ministro do Lula?
    E quem mais toparia isso? Chile e Venezuela com certeza não. A Argentina não desenvolve politica de Estado e vai flutuando a cada governo. E o resto, serve pra quê? A galera não respeita nem resolução da Fifa, quanto mais um BC latino!! Aliás, todos levaram um CRÈU no Cuzco ontem em velocidade 3. Rumo a Tóquio.

  5. Pô, tava demorando pro Felipe vir aqui comemorar a vitória acachapante do nosso Mengão! Pois é, o Mercosul está parecendo o ataque do Coronel Bolognesi (nenhum gol até agora, poucas perspectivas de vir a fazer um).

  6. Bom, além de concordar com o que já foi escrito, fique bestificado com a inversão lógica destes caras: você cria a moeda comum porque isso vai levar a reformas estruturais na economia e no seu arcabouço jurídico. Depois disso podemos colocar os bois na frente das carroças, os fins no meio, o Flamengo em Tóquio…

  7. 7 Felipe Basto

    O Flamengo vai pra Tóquio e o Gordinho Fenomeno também…
    O Marcio Braga já anunciou que vai pagar as dividas do clube em peso real.

  8. 8 Igor

    “a inversão lógica destes caras: você cria a moeda comum porque isso vai levar a reformas estruturais na economia e no seu arcabouço jurídico”

    Amiano, foi exatamente isso que me saltou aos olhos.

    ” A galera não respeita nem resolução da Fifa, quanto mais um BC latino”

    Felipe, essa foi a segunda coisa que me veio à mente.

    Olha, se for para escolher uma teoria, digamos, exótica e brilhante, sou mais a tese hayekiana de desestatização do dinheiro.

  9. Pois é, é como o Amiano disse, é um negócio meio de cabeça pra baixo, mesmo.

    Igor, esse negócio de peso real está com cara de desestatização do dinheiro, porque o que falta é justamente um Estado que cuide dessa moeda. Hayek não merecia essa🙂

    Felipe, sou fã do Gorducho, mas hoje em dia o Ronaldo não está valendo muitos pesos reais, não.

  10. 10 Felipe Basto

    Se um troço desses sai, o Brasil vai acabar tendo que ajudar uma parte da galera pra promover ajustes e nivelar a coisa, tipo fizeram na UE? Ou cada um vai fazer a sua parte com o próprio dinheiro? E alguém aí sabe quando o Ciro tinha pensado nisso?
    Sobre o Gordo: Isso é falta de respeito com o clube. Quer dizer que o Mais Querido só é bom enquanto ele tá bichado? Se voltar a ser o cara, se manda pra Itália! Ele se diz torcedor mas tem que aprender que CRF quer dizer Clube de Regatas Flamengo e não Casa de Repouso Flamengo.

  11. Não, não, meu caro NPTO. Na desestatização do dinheiro, bancos comerciais poderiam emitir notas, o melhor lastro vence. Um dinheiro com qualidade testada pelo mercado. A proposta do Sr. Pillar é justamente centralizar a emissão de moeda da região, maximizando o poder de uma entidade única, um BC sul-americano. Cada tese está em um extremo dieferente.

    Por Hayek, você ganha opções, pelo Guedes e Ciro, você perde. As duas idéias são quase inviáveis, mas prefiro a do nosso amigo austríaco. Parece-me muito mais sensata. Lembrando que, antes do Euro, alguns países europeus aceitavam diversas moedas vizinhas, nunca imprimindo uma oficial. Ganhava a melhor.

    Abs,

  12. Eu sei, eu sei, falei de brincadeira🙂


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