Gabeira e a Carta Capital (3)

07maio08

Como vocês já devem ter visto, depois da denúncia passada o Gabeira mandou uma resposta à Carta Capital, mais ou menos nos moldes da que ele mandou pra gente. Como o André saiu de férias, tive eu mesmo que comprar a revista (valeu a pena, como vocês verão nos próximos posts).

A CC publicou uma resposta em que admite a troca de nomes, mas diz que a mulher de Gabeira também é do ramo teatral. Gabeira diz na resposta que sua mulher é programadora. Ou CC contesta essa informação, ou terá que admitir que o tom da denúncia, “contrataram uma atriz pra fazer site”, está errado.

Em resumo: a primeira denúncia de Maurício Dias está errada. Deixemos de lado, por hora, o fato de que jornalista sério não faz denúncia de corrupção em nota.

Na nova edição da CC, o mesmo Maurício Dias lança uma nova denúncia:

“O deputado Fernando Gabeira tem nova explicação a dar a seus eleitores, além da que está publicada na seção de cartas desta edição. 

Em 2006, ele contratou a empresa Star Produções Artísticas. A empresa também atua no setor de “Artes Cênicas e Espetáculos”, conforme registro no CNPJ. 

A Star, dedicada a produções artísticas, recebeu 35 mil reais para realizar “pesquisas eleitorais”. Segundo o TRE do Rio de Janeiro, não há registro de pesquisas eleitorais feitas pela empresa.”

Já enviei e-mail à assessoria do Gabeira pedindo esclarecimentos. Mas, enquanto a resposta não vem, observo o seguinte:

1 – Maurício Dias é mesmo ruim com nomes. O nome da empresa na prestação de contas do Gabeira é Start (começo), não Star (estrela), o que ocasionou a confusão com um site meio esquisito que o Fábio colocou aí nos comentários. Podem checar lá na prestação de contas do Gabeira

2 – Corrijam-me se eu estiver errado (pode ser que esteja, não pesquisei): eu acho que, ao contrário do que sugere a nota, as pesquisas eleitorais não precisam ser registradas no TRE, a não ser que se destinem à publicação. Se o cara faz uma pesquisa interna e não mostra pra ninguém, não precisa registrar. Isso é comum, por exemplo, no caso de candidatos que estão meio com medo de estar perdendo, e que querem saber o quão feia é a situação, sem deixar que todo mundo saiba. Também é comum no caso de candidatos que querem sentir a temperatura do eleitorado no que se refere a determinadas questões. Por exemplo, o candidato pode fazer um focus group (ou mesmo, se tiver muita grana, um survey) para ver como anda a opinião sobre legalização da pesquisa com células-tronco, antes de sair defendendo a coisa por aí. Focus group não é registrado, mesmo, se bem entendo.

3 – Achei meio estranho um candidato a deputado contratar pesquisa eleitoral. Fazer pesquisa eleitoral nos mesmos moldes dos candiatos a majoritário é dificílimo, porque mesmo os candidatos mais votados recebem porcentagens muito pequenas do eleitorado. Se o cara recebe 0,5 dos votos (muitíssimos votos, em se tratando de candidatura proporcional – deputado, vereador, etc.), imaginem a precisão necessária à pesquisa para medir isso, e imaginem o quão grande deve ser a amostra.  Por isso, na mesma hora me ocorreu que isso deve ser pesquisa qualitativa (focus groups). E, de fato, na prestação de contas o serviço indicado é de “pesquisa ou teste eleitoral”. Focus é um serviço completamente diferente de survey: o pessoal da comunicação pode fazer um focus (agência de publicidade faz o tempo todo), mas é necessário pelo menos alguém que saiba estatística para fazer a amostra do survey, e, de preferência, um sociólogo mais quantitativozinho para analisar os resultados.

De maneira que isto está com cara de ser o seguinte: os caras fizeram  focus group, provavelmente testando a popularidade eleitoral da legalização da maconha ou do casamento gay (eu acho focus group uma merda, mas isso é outra história), usando provavelmente a mesma turma que faz o site, a propaganda, enfim, essa turma da comunicação. Não registraram a pesquisa porque era para consumo interno.

Claro, pode não ser nada disso, pode ser sacanagem, mesmo. Se meu critério de votação excluir qualquer candidato que já desviou 30 paus dos contribuintes de campanha, vou ter que votar em branco, mas isso é outra história. 

Ou seja: todos têm o direito de duvidar das denúncias do Maurício Dias, dado o fiasco da denúncia anterior. Mas isso não quer dizer que a nova denúncia seja falsa. Enfim, permaneço em dúvida quanto ao mérito do caso, e vou esperar a reação da campanha do Gabeira, que, pela história de vida, merece um certo crédito. Se eu não deixei de votar no Lula por causa da Veja, não vou deixar de votar no Gabeira por causa da CC.

PS: não esperem que eu me interesse pelo caso do pedido de aposentadoria à comissão de anistia. A questão aqui é porque o Gabeira não pede uma indenização propriamente dita, visto que, ao contrário de picaretas como o Ziraldo e o Jaguar, ele e os outros torturados  foram mesmo vítimas de abuso extremamente severo de autoridade por parte de um governo usurpador da autoridade de um estado democrático legítimo (mesmo que grotescamente governado). Não sei porque ele não pediu, devia ter pedido, mas não vou deixar de votar no cara porque ele pediu indenização a menos.



20 Responses to “Gabeira e a Carta Capital (3)”

  1. 1 fabio

    Naprática, pelo que eu entendi você não vai deixar de votar no cara (nem tirar essa propaganda do blog). Ponto.

  2. Grande Fábio! Claro que é possível que eu mude de voto. Mas para isso será preciso ao menos uma de duas coisas:

    1 – Que alguma denúncia me faça crer que o Gabeira é corrupto. Dei o mesmo benefício da dúvida com relação aos petistas acusados na crise do mensalão, alguns mereceram, outros não. Se a Carta Capital quer derrubar o cara com notinha vai ter que fazer melhor.

    2 – Que, mesmo que eu ache que ele é corrupto, e supondo que não o ache mais corrupto que os outros (essa não seria fácil), ele não seja melhor que os outros nos outros critérios de escolha. O governo Lula comprou o voto de uns partidecos no Congresso, e isso faz dele um governo corrupto. Mas nunca me convenceram que fosse mais corrupto que (ou mesmo tão corrupto quanto)os governos liderados pelo pessoal da oposição. Descontando isso, pensei qual seria o melhor governo para o meu gosto, e votei no Lula de novo em 2006. Acredito que muita gente tenha feito o mesmo, esse pessoal da oposição que não sabe como alguém pode ter votado em governo corrupto ignora o próprio telhado de vidro.

    Assim, o principal fator que me faria mudar de voto seria o Molon ou o Chico Alencar modernizarem o discurso e entrarem arrebentando no debate. Eu sou um petista no exílio. Se o PT aprender as coisas EXCELENTES que ELE MESMO fez quando moderou o discurso, faço as pazes com o partido, supondo, naturalmente, que a direção nacional não baixe lá no Rio obrigando a gente a votar no Garotinho de novo.

    De certa forma, meu candidato ideal seria o Chico Alencar depois de um curso de economia. Mas, ao invés de moderar o discurso, ele entrou pro PSOL. É foda.

  3. 3 Ivan

    Vamos combinar? Aquela coluna do Maurício Dias é o que a revista tem de pior. Até pelo formato, aquele texto principal já curto e um monte de notinhas ao lado, já é pra mim aquela típica coluna do argumento raso, dos ataques sem muita explicação, das alfinetadas desleais e sem fundamento. O Gilmar Mendes é outro “perseguido”, toda semana a coluna nos presenteia com uma pérola de inteligência tentando criticar o ministro. Uma pena, porque são duas páginas da revista que se igualam a Veja. Ou nem isso, porque a última pelo menos é mais competente no ramo de denúncias fajutas…

  4. 4 fabio

    Vamos lá, Naprática:

    1. A Carta Capital teria que ser muito inocente para tentar derrubar o cara com notinhas. Notinhas não vão derrubar o “bloqueio a Cuba”, para usar a sua metáfora. O benefício da dúvida é fundamental. Mais do que isso: o princípio da igualdade perante a lei não pode ser substituído, como foi, pela caça aos adversários – veja que ninguém pretende cassar o mandato do Gabeira, nem proibir quem quer que seja de elegê-lo.

    2. Eu não estou falando, nem a Carta Capital, que ele é mais corrupto do que os outros. Aliás, se a gente não falasse com quem fez ou faz caixa dois, os políticos seriam o menor dos nossos problemas. É sem dúvida nenhuma possível considerar o Gabeira a melhor opção, independente destes dois casos evidentes de desvio de dinheiro de campanha para fins outros.

    Só o que eu estou falando, e que a Carta Capital comprova, é que o discurso do Gabeira durante os últimos anos não é o discurso da ética, é o discurso da hipocrisia (eu iria além da Carta: uma hipocrisia muito mal calculada). “Transparência embaçada”. Se o voto nas eleições municipais tem alguma coisa a ver com isso, é só porque o Gabeira tem sido, nos últimos anos, nada além disso: um hipócrita (eu iria além: um hipócrita fracassado).

    Um forte abraço.

  5. Ivan, bem-vindo à caixa de comentários NPTO. Pra falar a verdade, nunca tinha notado a coluna desse cara. O que já quer dizer alguma coisa.

    Fábio, vamos por partes:

    1)”Casos evidentes” porque?

    2) se forem mesmo desvios: há alguma suspeita de que a grana tenha sido usada para comprar votos no congresso (como foi o caso do Dirceu), sei lá, pela legalização da maconha? Pelo preço de mercado de 2005, só dava pra comprar 1, talvez 2 de qualidade inferior, do PMDB (que recebe o suborno mas às vezes vota contra). Não é à toa que esse troço não passa. Os maconheiros deviam fumar menos e dar mais grana pra campanha do Gabeira.

    3) “Fracassado” porque? O cara teve uma votação retumbante para deputado.

    4) “hipócrita” só se sustenta a partir da resposta ao ponto 1)

    Eu acho mesmo que usaram o Dirceu como bode expiatório. Não cassaram um único dos receptores da grana, o que, obviamente, se deu porque a oposição sabe que, se ganhar a presidência, vai ter que comprar os mesmos caras. E a historinha “mensalão como mesada em uma mala” tem cara de ser boba demais, a coisa deve ter sido mais complicada.

    Agora, o Dirceu foi bode expiatório de um negócio do qual ele participou, mesmo. E aí, sim, calculou errado. Não crucifico o Dirceu por isso, não. Muito pior é ele apoiar o Chávez.

    Abração, mestre!

  6. 6 fabio

    1. Evidentes porque a Laborare não faz site e a Start não faz pesquisa eleitoral. Não são registradas com essa finalidade, nunca prestaram esse serviço para ninguém, não prestam esse serviço.

    2. Desculpe, mas há alguma suspeita do Zé Dirceu ter desviado dinheiro? Se tiver, por favor, eu quero saber.

    3. Fracassado porque ser deputado federal é evidentemente menos do que ele esperava, e porque ele hoje faz campanha escondendo o que dizia.

    Sobre os comentários: O PT assumiu ter coletado dinheiro para caixa dois do PL, PP, PTB, PT, PSB, PC do B. O Gabeira, a Luciana Genro, a Heloísa Helena, todos usufruiram desse dinheiro. Para casos de caixa-dois, seja de empresas, de políticos ou de pessoas físicas, aplica-se a lei. “Linchamento ético” é, como sabemos, um oxímoro.

    Sobre apoiar o Chávez, sugiro uma leitura do Valor de ontem e de hoje, que estão comentados pelo Nassif (link aqui com seleção de textos: http://www.google.com/notebook/public/03904464067865211657/BDQyCSwoQlbfxnpwj, se a própria realidade de nossa política interna e externa é incapaz de te convencer. E de lembrar que anti-americanismo ou antibolivarianismo são, em termos intelectuais, irmãos siamêses.

    Abração

  7. 7 fabio

    Naprática, vai aí a minha colabaração para furar o bloqueio a Cuba:

    Situação: fita com dois deputado0s discutindo a eleição para presidente da Assembléia paulista em 2005.

    Romeu Tuma Jr. – Escuta, você não pode vir com a gente?
    Paschoal Thomeu – Não, eu tenho um compromisso muito grande. Romeu, to passando uma fase muito difícil. E eu preciso do governador de qualquer jeito, senão eu quebro.

    Tuma Jr. – Mas pelo menos a gente vai criar uma independência. Porque a eleição ta ganha…
    Thomeu – Ô Romeu, não tem condição. Você sabe que eu gosto de você. Com você eu ia até o inferno. Mas a questão são as empresas. Eu tenho seis empresas. Eu não estou numa situação (ininteligível). Eu to vendendo umas terras pro CDHU, você entendeu? Pelo amor de Deus, Romeu, me libera.

    (…)

    Tuma Jr. – E a segunda chamada? Deixar passar a primeira pra ver, porque se a gente ganhar na primeira, aí você não precisa votar nem um nem noutro.
    Thomeu – Romeu, não me peça isso, Romeu. Você sabe que eu gosto muito de você e faço qualquer negócio por você. Mas nessa situação, é questão de segurança pro meu grupo. São seis firmas com capital pesado. E estamos em situação muito difícil; e ele está me ajudando muito, o governador.

    Tuma Jr. – Mas ele prometeu, garante, que vai te ajudar? Porque eles prometem, prometem e não cumprem, né?
    Thomeu – Não, ele está me ajudando muito. Inclusive aqui, (ininteligível), ele tem nem me ajudado. Eu tenho ido pra frente porque ele tem me dado uma mão. Eu não posso cuspir no prato em que eu como. Você entendeu, Romeu?

    Tuma Jr. – Você olhou na cara dele, ele falou que vai… vai cumprir?
    Thomeu – Vai me ajudar. Pode ficar tranqüilo, pode ficar tranqüilo.

    Tuma Jr. – Ele vai ver esse negócio do CDHU?
    Thomeu – Vai. Fica sossegado.

    (…)

    Tuma Jr. – Mas foi o governador? Não foi o Madeira prometendo..
    Thomeu – Governador. Foi o governador. Pode ficar tranqüilo.
    Tuma Jr. – Tá bom. Você é irmão, tudo bem.

    —-
    Bom, esse é o CDHU. Teve a Caixa, a Sabesp, etc.

    Banco estatal beneficiou aliados de Alckmin
    FREDERICO VASCONCELOS
    DA REPORTAGEM LOCAL
    O governo Geraldo Alckmin (PSDB) direcionou recursos da Nossa Caixa para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na Assembléia Legislativa.
    Documentos obtidos pela Folha confirmam que o Palácio dos Bandeirantes interferiu para beneficiar com anúncios e patrocínios os deputados estaduais Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo “Bispo Gê” Tenuta (PTB), Afanázio Jazadji (PFL), Vaz de Lima (PSDB) e Edson Ferrarini (PTB).
    A cúpula palaciana pressionou o banco oficial para patrocinar eventos da Rede Vida e da Rede Aleluia de Rádio. Autorizou a veiculação de anúncios mensais na revista “Primeira Leitura”, publicação criada por Luiz Carlos Mendonça de Barros, ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso. Ele é cotado para assessorar Alckmin na área econômica. Recentemente, a Quest Investimentos, empresa de Mendonça de Barros, foi escolhida para gerir um novo fundo da Nossa Caixa.
    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2603200610.htm

    21/05/2006 – 10h01
    Sabesp pagou R$ 1 milhão a editora de tucano
    FREDERICO VASCONCELOS
    da Folha de S.Paulo
    Nos dois últimos anos do governo Geraldo Alckmin, pré-candidato tucano à Presidência, a Sabesp abasteceu com R$ 1 milhão de sua verba publicitária a editora e o programa de TV do deputado estadual Wagner Salustiano (PSDB).
    Dos R$ 522 mil que a Sabesp destinou à mídia “revistas” em 2004, nada menos que 46,5% jorraram para a revista “DeFato”, produzida pela W.A.S. Editora Gráfica e Comunicação Ltda.
    A Sabesp pagou à empresa de Salustiano valores mais elevados do que os gastos com peças semelhantes veiculadas nas revistas “Exame-SP”, “Isto É Dinheiro”, “Trip” e “Municípios”.
    —————————————————————————–
    E, lógico, teve o Gabeira, em entrevista na Folha:

    FOLHA – A que o senhor atribui sua votação?
    FERNANDO GABEIRA – Inicialmente, à generosidade do povo do Rio. Mas, também, ao desejo de mandar um recado claro sobre a necessidade de combater a corrupção e de uma reforma política. Há a sensação de que as estruturas políticas estão apodrecidas. Se você observar a minha performance e a do Gustavo Fruet [que integrou a CPI dos Correios e mais votado no Paraná pelo PSDB], verá que a mensagem é convergente.
    FOLHA – Por que ser deputado nessas estruturas?
    GABEIRA – Para reformá-las. Eu trabalho com política internacional, direitos humanos e meio ambiente. Mas, há dois anos, percebi que, se não mudasse a minha linha, não ia poder desenvolver meu trabalho, a casa ia cair na nossa cabeça. O Congresso estava se aproximando de um ponto de ruptura com a sociedade. Só iriam sobreviver aqueles que compram votos. Aí fui para a guerra.
    […]
    FOLHA – O sr. vai apoiar Alckmin?
    GABEIRA – Há uma conversação em curso no PV no sentido de apoiar o Alckmin. Não vou propor o voto nulo, e possivelmente vou votar nele. Mas não me interessa entrar na campanha de ninguém. Eles estão sendo eleitos para governar, eu para fiscalizar. Eu me considero uma pessoa independente apoiando projetos que acho corretos e criticando os que não acho corretos.
    ——————————————————————–
    Então eu pergunto, Naprática: é ou não um político que fez carreira em cima da hipocrisia?

  8. Fábio,

    1 – a denúncia da Lavorare é furada. A empresa é da mulher dele, que juntou uma turma que tinha a mesma profissão que ela, programador, e fizeram o site da campanha. Quanto à start, aguardamos explicações.

    2 – O Dirceu é acusado de coordenar o esquema de transferência de grana de caixa 2 para pagar deputado, etc. e tal. É verdade, todo mundo ganhou nessa e a culpa ficou com o cara. É verdade, 90% dos caras que acusaram o Dirceu estavam protestando pela quebra do monopólio do suborno ao deputado, antes detido pelos partidos hoje na oposição. Foi mesmo enojante ver aqueles caras do PFL, e mesmo uns jornalistas semi-alfabetizados, dizendo que era ‘O maior escândalo de todos os tempos”. Agora, pelo amor de Deus, pergunte pra qualquer petista do Rio, o Gabeira não é como esses caras.

    3 – Você acha que o Gabeira tinha pretensões presidenciais em 2006? Não vejo assim, não. Era absolutamente claro que o candidato da oposição seria do PSDB, e o voto situacionista ele não pegaria – muito embora grande parte dos petistas que eu conheço tenha votado no Gabeira para deputado. O que eu acho mais provável é que ele tivesse medo de não ser eleito deputado depois de perder a legenda do PT.

    4 – Quanto ao Chávez: uma coisa é apoiar o povo Venezuelano de uma agressão americana (ou mesmo colombiana), uma coisa é apoiar as políticas sociais, por mais frágeis comparadas ao que poderia ser feito com a renda do petróleo, que o Chávez, corretamente, implementou. Outra coisa é apoiar o fechamento da RCTV, outra coisa é apoiar o Chávez no plebiscito para virar condottiere.

    Não dá pra ser anti-bolivarianista porque o bolivarianismo é uma folha de parreira ideológica que mal encobre um projeto autoritário que é modificado à medida que Chávez precisa tomar uma nova medida para implantar controle (por exemplo, agora o bolivarianismo é socialista, antes não era; antes admitia vários partidos, agora quer que todos os partidos chavistas sejam unificados na marra).

    A realidade boliviana é diferente: ali um movimento étnico legítimo chegou ao poder sem a necessária articulação política, e tomou medidas voluntaristas e irresponsáveis alienando potenciais aliados. Como governo, é inclusive pior do que o do Chávez, mas ao menos é mesmo uma construção de baixo pra cima, com quem devemos conversar.

    Claro, do ponto de vista do Estado brasileiro, o Itamaraty está certíssimo de não aceitar provocação nem se meter em conflitos que não são de nosso interesse. Mas isso não quer dizer que devamos apoiar a agenda política interna chavista.

    Do ponto de vista da esquerda brasileira, admito que é uma questão espinhosa: não podemos alienar as forças sociais que muitas vezes se associaram ao bolivarianismo, mas ninguém pode apoiar os deslizes autoritários dos vários governantes andinos. Os partidos de centro-esquerda europeus, por exemplo, não hostilizam Chávez, mas foram contra o fechamento da RCTV.Como o PT é governo, e suas posições podem ser confundidas com a do Estado brasileiro, a cautela seria inteiramente compreensível. Mas o entusiasmo de muitos petistas pelo que Chávez faz na Venezuela é besteira.

    Quanto ao segundo comentário: pô, ninguém precisa me explicar que existem tucanos corruptos. Mas quem vota neles não é, necessariamente, corrupto, como deveria ser óbvio.

    E o Gabeira é o último cara que pode ser acusado de ter feito carreira em cima da hipocrisia: ele teve coragem, nos últimos vinte anos, de defender bandeiras com as quais muitos de nós concordamos – como o casamento gay e a legalização da maconha – que certamente atrapalharam qualquer plano de tentar vôos políticos maiores. O cara nunca fugiu da impopularidade.

    Abração, mestre!

  9. 9 Dictator Pictor

    Na Prática, ou você é muito bobo ou tem muito pouco ódio em seu coração. Eu aproveitaria o referendo para dizer aos Bolivianos: “entendemos que vocês são soberanos para decidir o que querem, mas se quiserem se juntar ao Brasil serão muito bem vindos. E se vossa escolha autônoma e soberana for esta, faremos valer vossa vontade”. Pronto. A gente dava o troco pela Petrossauro e pegava metade daquela merda de quebra.

  10. 10 fabio

    1. Já falamos o suficiente sobre isso.

    2. As evidências dessa acusação são as mesmas contra o Dirceu, o Lula, eu e você – nenhuma. O suficiente para o gabeira dizer que ele é mentor de assalto ao Estado – coisas da nova linha do Gabeira, que faz muito sucesso no Jô, mas que deveria envergonhar as pessoas com um mínimo senso de justiça.

    3. Eu não acho que ele tinha pretensões presidenciais. Mas tinha pretensões de se transformar em justiceiro.

    4. A RCTV participou de um golpe.

    Eu não apoio arroubos autoritários, nem você, nem o PT (a não ser o vestígio de PSOL que, infelizmente, continua infiltrado). Mas também não uso endosso o discurso Regina Duarte tão difundido nas últimas eleições*.

    Não é que quem vota em tucanos – no Alckmin especificamente – seja corrupto. É que votar no Alckmin por causa de uma suposta superioridade ética é hipocrisia ou desinformação.

    Essas bandeiras que o Gabeira defendia estão devidamente escondidas*. Eu não conheço petistas que votaram nele (claro, tem você, no exílio). A dificuldade dele, hoje, é que seus eleitores, que deram para ele essa votação para deputado, são os eleitores da direita. Com exceção deste blog, pesquisa Gabeira no Google e você verá quem são os seus admiradores atuais.

    *”Segunda-feira, Julho 03, 2006
    Cristovam Buarque teme tentação autoritária de Lula.
    BELO HORIZONTE – O candidato do PDT à Presidência, Cristovam Buarque, teme que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vença a eleição no primeiro turno e, com um partido enfraquecido, acabe virando um líder autoritário. A probabilidade de isso vir a acontecer é grande, segundo Cristovam, que acredita que nesse caso Lula passe por cima do Congresso, rendendo-se à “tentação autoritária”.”É lógico que a probabilidade hoje é muito maior que o presidente Lula seja eleito e esse é o meu medo, porque, se ele for reeleito no primeiro turno, com uma votação muito expressiva e ao mesmo tempo nós tivermos um Congresso em que ele será minoritário, ao que tudo indica, eu temo pelas instituições democráticas”, disse o candidato.”

    * “Mas, há dois anos, percebi que, se não mudasse a minha linha, não ia poder desenvolver meu trabalho, a casa ia cair na nossa cabeça.” É essa nova linha e as duzentas e cinquenta e sete exposições dessa linha na imprensa que elegeram o Gabeira, e que eu considero intragável.

    Abração, Naprática.

  11. 11 Igor

    “As evidências dessa acusação são as mesmas contra o Dirceu”

    ã-han

    “Essas bandeiras que o Gabeira defendia estão devidamente escondidas*. Eu não conheço petistas que votaram nele (claro, tem você, no exílio). A dificuldade dele, hoje, é que seus eleitores, que deram para ele essa votação para deputado, são os eleitores da direita. Com exceção deste blog, pesquisa Gabeira no Google e você verá quem são os seus admiradores atuais.”

    Isso é um argumento? Bem se eu disser que as FARC comemoraram a vitória de Lula e mandaram uma carta aberta apoiando-o, isso deve ser então a mesma coisa?

  12. 12 fabio

    Igor

    Não, Igor, isso não foi um argumento, só troca de experiência. O NaPrática disse que a maioria dos petistas que ele conhece votou no Gabeira, eu respondi que não conhecia petistas que votaram no Gabeira. Só uma discussão impressionista sobre quem é o novo eleitorado do Gabeira, mais nada.

    Abração

  13. 13 Igor Taam

    É verdade. Li rapidamente e não tinha entendido corretamente os porquês da sua afirmação.

    Mas o “ã-han” pro Dirceu continua.

    Abraços,

  14. 14 Igor

    É verdade, Fabio, eu li rapidamente e não tinha entendido os porquês de sua afirmação.

    … Mas o “ã-han” pro Dirceu continua.

    Abração,

  15. 15 Igor

    Pictor, seu espírito é antidemocrático e imperialista. E por isso mesmo, você enalteceria nossos antepassados. Lembrando que o nome da Guerra Cisplatina é uma corruptela da Guerra Cisalpina, nas Gálias.

  16. 16 fabio

    Igor, é como eu disse para o Naprática: essa não é uma história superada, não pode ser deixada de lado, e separa lados na política nacional. Seria melhor se não fosse assim, mas é assim.

    Até mais

  17. Fábio,

    1 – Com o que depreendo que você concorda com o que eu disse?

    2 – O Dirceu pode ser inocente ou culpado disso que acusam ele. Agora, não é uma acusação impausível. A coordenação política era tarefa dele, e a estratégia no Congresso foi comprar partidecos. Pode não ter sido ele, mas não é absurdo que tenha sido. Por isso não se pode chamar de hipócrita o cara que faz essa acusação. Nós sempre achamos (e eu ainda acho) que o Serjão comprou os votos da reeleição do FHC. Pode ser mentira, mas era ele que tinha a tarefa de conseguir esses votos.

    3 – Justiceiro como? Ele queria matar o Dirceu? Porra, o cara sequestrou um embaixador pra soltar o Dirceu da cana, só pra depois dar um pipoco nele?

    4 – A RCTV participou de um golpe (Chávez também, aliás), mas não foi fechada por isso. A TV que articulava a coisa mesmo depois chegou a um acordo de puxar o saco do Chávez e ninguém negou a concessão dela.

    Quanto aos petistas que votaram no Gabeira, é só ir lá no Rio ver. Só não chegue lá defendendo a direção nacional, porque aí, sim, a coisa fica feia.

    Abração

    PS: Pô, Igor, essa da Cisalpina cê desencavou, hein?🙂

  18. 18 fabio

    1. Não, Naprática, eu discordo. Mas acho que os nossos argumentos já foram expostos.

    2. Não existe culpa difusa no código penal. Plausível é. Mas cassar alguém porque é plausível que tenha alguma culpa não existiria mais políticos nem governos. Aliás, nem empresas e pessoas livres. Lembra do alienista?

    3. Em nível metafórico. Exterminador de Severinos, aniquilador de Calheiros, destruidor de Dirceus e caçador de Lulas. Isso aliado aos Maias, Magalhães e Bornhausens. Se bem que no Tião Vianna ele chegou a dar um soco de verdade… Mas aí era só medo de não sair na foto.

    4. O Chavez foi preso e anistiado – e não por ele mesmo. O Al Capone foi preso por sonegação de impostos. Muitas pessoas defendem o Chavez não porque achem ele ótimo, mas porque uma rede de comunicação que participa de um golpe de estado não apenas tem poder o suficiente para não ser processada, como arruma aliados no mundo inteiro que defendem que sua concessão seja renovada pela vítima de seu golpe fracassado.

    Eu não dúvido, Naprática. Mas discordo, e defendo a minha opinião. Os petistas do Rio que eu conheço pensam na mesma linha – lembre-se que o Gabeira (PV-PSDB-PPS), o Chico Alencar(PSOL), e outros, não são petistas.
    Aliás, o Bittar teve, ao lado do Maurício Rands e do Henrique Fontana, uma atuação primorosa na CPI que consagrou o Gabeira. Mas concordo que a coisa fica feia quando se defende o PT em determinados ambientes: constrangimentos, agressões e coisas deste tipo estão frescas na memória de quem participou da última campanha.

    Abração

  19. Fábio, cuidado quando diz que o Chico Alencar não é petista. Se tinha um cara petista no Rio era ele. Mas não soube se renovar ideologicamente (o que é culpa dos nossos intelectuais, que não cobraram isso dele e dos outros quadros – e como poderiam, se muitos deles mesmo fracassaram nisso?), e, enfim, só saiu por causa da crise política. Não subestime essa perda, nem o tanto que o Bittar (outro quadro que eu gosto) se queimou naquela CPI.

    E não estou falando de defender o PT em certos ambientes; estou falando de defender a direção nacional dentro do PT do Rio.

  20. 20 fabio

    Ética é fazer a coisa certa sem medo da imprensa te queirmar. Sabe aquela história de entrar na frente de apedrejamento? Apedrejar pode ser muito popular, mas não é ético.
    Teve uma que comemorou a absolvição de quem realmente deveria ser absolvido, e, depois de ser prefeita de uma cidade de médio porte, não conseguiu sequer se reeleger deputada.
    Já o Gabeira foi campeão de votos.

    É disso que eu estou falando, Naprática.


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