Israel/60

13maio08

Bom artigo do Hitchens (dado o desconto polêmico de sempre) sobre os 60 anos de Israel. Essa citação descreve o meu estado mental médio sobre o assunto:

“I find that no other question so much reminds me of F. Scott Fitzgerald and his aphorism about the necessity of living with flat-out contradiction. Do I sometimes wish that Theodor Herzl and Chaim Weizmann had never persuaded either the Jews or the gentiles to create a quasi-utopian farmer-and-worker state at the eastern end of the Mediterranean? Yes. Do I wish that the Israeli air force could find and destroy all the arsenals of Hezbollah and Hamas and Islamic Jihad? Yes. Do I think it ridiculous that Viennese and Russian and German scholars and doctors should have vibrated to the mad rhythms of ancient so-called prophecies rather than helping to secularize and reform their own societies? Definitely. Do I feel horror and disgust at the thought that a whole new generation of Arab Palestinians is being born into the dispossession and/or occupation already suffered by their grandparents and even great-grandparents? Absolutely, I do.”

Eu acho que, no final das contas, alguma coisa como Israel devia ter sido criada, mesmo. Lembrem-se: na saída dos campos de concentração já liberados pelo Exército Vermelho, judeus foram mortos em pogroms na Hungria e na Polônia. Hoje parece óbvio que os judeus podem viver tranquilos em países cristãos cada vez mais seculares, mas não era assim na época.

Mas também vale lembrar a advertência da Hanna Arendt, fodona da balaxita:

“Arendt remained active in Zionist politics all of her life; but she was associated with Brit Shalom—the union of intellectuals centered around Judah Magnes, Martin Buber, and Henrietta Szold—which advocated peaceful co-existence and cooperation in the form of a secular federated state of Jews and Palestinians. Like most other Zionists before World War II, Arendt wanted a Jewish homeland, but not a state for Jews only. Arendt emphasized the potential for cooperation, especially on small projects at the local level, believing that this synergy of cultures would create an economic miracle in Palestine, and establish a model of secular government and religious tolerance for the region.

When the World Zionist Organization called for the creation of Israel as an explicitly Jewish State in 1944, Arendt wrote that this act alone undermined fifty years of cooperative efforts because it signaled to Palestine’s Arab population that the Jews did not intend to share the land.  If Israel was to be a Jewish state instead of a secular federation, she wrote, then inevitably Arabs would be second-class citizens; and if there is anything the Jews should have learned from the example of the Nazis it is the immorality and folly of reducing any group to second-class citizenship.  In essays published in 1945, Arendt argued presciently that as an explicitly Jewish state, Israel would squander its human and capital resources on militarism, that it would be dependent on a foreign power which would be widely disliked in the region, that terrorists would arise to positions of leadership on both sides, and that in the long run some further disaster for the Jewish people might be expected.”

Sendo realista, hoje em dia nada disso seria possível, visto que o ódio entre os dois lados já é acirrado demais (não acreditem na história do “povos que se odeiam há três mil anos”). Comparado com os Estados ao seu redor, Israel é a coisa que mais vale a pena defender na região. Mas também vale perguntar se esses merdas que governam a Síria teriam a mesma legitimidade se Israel não tivesse tomado as terras dos Palestinos.

E agora, na série “eu dou opinião sobre tudo, mesmo”:

Eu acho que o futuro pode estar em uma zona de cooperação econômica Israel/Palestina + Turquia/Jordânia que se associe à Uniâo Européia de algum modo. Vejam os Balcãs: aquilo, sim, era um conflito étnico intratável. Mas a perspectiva de entrar na União Européia deu outra coisa muito melhor para Eslovenos e  Croatas fazerem além de brigar com os Sérvios (cedo ou tarde os Sérvios também vão para a UE).

Parênteses: claro, se árabes e israelenses conseguissem uma paz duradoura, e a grana do petróleo entrasse na indústria high-tech israelense, e se o modelo de governança israelense se espalhasse pela região, aí a UE é que ia querer entrar pra esse negócio. Aliás, eu também. O Islã sob os fundamentalistas é como a China sob o Mao (com Israel fazendo o papel de Tigre Asiático vizinho): são países bêbados. Quando esses caras saírem do porre e resolverem jogar sério, ninguém segura.

Agora, enquanto Gaza for bombardeada todo dia, não vai ser fácil arrumar quem queira investir lá.



No Responses Yet to “Israel/60”

  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: