BOI

14maio08

Ótimo artigo do Gaspari (hat tip: Leopoldo) sobre nova e espetacular sacanagem do setor de telefonia. Se você não sabe do que se trata, está lendo demais sobre tapioca pra prestar atenção em falcatrua de verdade. Diz o Gaspari:

“Comemorando o décimo aniversário da privataria tucana, o aparelho companheiro voltou a ligar o motor do BNDES. O banco entrará com R$ 2,6 bilhões. Com isso, ele e os fundos de pensão das estatais ficarão com 49,8% da Oi/Telemar. Privatizaram o patrimônio e estatizaram a fonte de financiamento.

Com tamanha participação do BNDES e dos fundos de pensão, a empresa corre o risco de cair no colo da Viúva daqui a mais uns dez anos. Pelo lado do banco, pode-se argumentar que seu corpo técnico opera dentro de normas rígidas. Pelo lado dos fundos de pensão, não se deve dizer o mesmo. São instituições vulneráveis a um elemento com o qual Schumpeter não lidou: a destruição destruidora.”



3 Responses to “BOI”

  1. 1 fabio

    “Falcatrua de verdade”.
    Não ia nem comentar, mas não resisti.
    Você que diz tanto que devemos deixar o macartismo de 2005/2006 para trás, se dá ao direito a este tipo de acusações absolutamente ridícula. Eu vou me poupar o trabalho de procurar, mas quando leio “nova e espetacular sacanagem do setor de telefonia” tenho uma curiosidade imensa em saber qual foi, na sua opinião, a “espetacular sacanagem” anterior.
    Bem, em todo caso, vai aí a opinião dos trabalhadores. Se você tem outra, tudo bem, mas não caia na do Gabeira de criminalizar quem pensa diferente de você:

    Fittel apóia união das operadoras para formar empresa nacional

    Publicado: 04/03/2008 – 17:53
    Por: Teletime News e Agência Brasil
    A Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel) apóia a compra da Brasil Telecom pela Oi. A entidade acredita que será criada uma empresa nacional forte, capaz de competir com as demais empresas de capital internacional presentes no País e ainda levar seus serviços para o exterior. A direção da Fittel espera participar da discussão da compra da BrT e, para isto, está tentando agendar audiências com as partes envolvidas: Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Casa Civil, Anatel e Congresso Nacional, através dos deputados federais Jorge Bittar (PT/RJ), Walter Pinheiro (PT/BA) e Maurício Rands (PT-PE). O objetivo é que o debate seja levado também à sociedade. A federação conta ainda com o apoio da CUT, que faz a interlocução com o Ministério das Comunicações e BNDES.

  2. Fábio, não sei se entendi sua indignação: as falcatruas de verdade vêm desde a privatização “no limite da responsabilidade” do FHC, passando por toda a odisséia Daniel Dantas. Se você está achando que eu estou enchendo o saco do governo, até estou, mas a sacanagem começa e se lança mesmo no anterior, motivo pelo qual a oposição prefere criticar o Lula pelas tapiocas da vida.

    A BOI é ilegal, sobre isso não há nenhuma dúvida. Se você for lá e perguntar pro dono do negócio, “essa transação é legal?”, ele vai dizer que não. Por isso mesmo vão mudar a lei para o negócio poder ser realizado. Depois reclamam da marcha da maconha.

    Não tenho nada contra o BNDES fazer política industrial, admiro o Luciano Coutinho, mas eu acho que, se o negócio vai mal das pernas e interessa ao país que ele sobreviva, o mínimo que se pode exigir é que todo mundo envolvido na má administração anterior seja demitido, e que o governo intervenha não só com grana, mas assumindo parte da administração, como ocorre no caso das intervenções bancárias. Se isso aconteceu no caso da BOI, peço desculpas, mas não ouvi nada disso até agora.

    E quero ver, inclusive, maior controle dos trabalhadores sobre os gestores de fundo de pensão que investiram nesse troço. Concordo com o Gaspari que a decisão do BNDES pode ter sido influenciada pelas regras da casa, mas os fundos devem saber melhor onde colocar seu dinheiro e não contar com socorro do governo em caso de problemas.

  3. 3 fabio

    NaPrática

    Vamos separar as coisas – no caso você está falando que a falcatrua foi a corrupção no processo de privatização, e não o fato de privatizar. Corretíssimo. Foi uma decisão política que eu discordei e que gerou a situação atual, mas falcatrua não foi a decisão de privatizar, foram os 10% de comissão que o Ricardo Sérgio e o presidente do BNDES de então discutem em uma fita tornada pública.
    A minha indignação vem de que, agora, você chama uma decisão política de falcatrua. Onde estão os 10%? É plausível que estejam na conta do Zé Dirceu em Cuba? É sim. Mas vale tanto quanto ser plausível ele ter “organizado o assalto aos cofres públicos”.
    Mas a minha é uma indignação que se alastra. Por exemplo: seria preciso mostrar o quanto a atual administração moralizou o uso de recursos pelos funcionários? Minha fixação em Gabeira deve estar distorcendo o sentido do que você escreve…

    Parece incrível ter que dizer, mas o contrato entre a OI e a BR Telecom é legal, e disso não resta nenhuma dúvida. Tem inclusive uma cláusula, muito comentada pela imprensa, assegurando o pagamento de uma multa à BR Telecom caso a legislação não permita a execução do contrato. Mudar a lei não é ilegal, ilegal é descumprí-la, e ninguém pretende fazer fusão na marra.

    Quanto à fusão em si, NaPrática, não tenho problema nenhum em discutí-la. Mas não misturada com falcatruas, ilegalidades, etc. Uma coisa de cada vez – vamos primeiro dar o devido fim ao “mensalão”, depois podemos discutir qualquer coisa.


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