PAC derruba Marina Silva

14maio08

                                

 

A melhor ministra do governo Lula desde que Palocci saiu do cargo (como nota o André, foram os dois primeiros ministros que Lula escolheu depois de eleito) deixou o governo.

Durante toda sua gestão, Marina Silva foi atacada de tudo que é jeito por tudo que é gente, mas, até aí, é inevitável que isso aconteça com qualquer Ministro do Meio Ambiente que resolva trabalhar mesmo (ou seja, exclua-se o Sarney Filho, e todos os outros antes de Marina Silva).

O problema agora é que Lula resolveu apostar tudo no PAC, que precisa de energia elétrica, e os grandes projetos de hidrelétrica causarão problemas ambientais. Lula deve, a essa altura, ter deixado claro que vai fazer as usinas de qualquer jeito. Marina saiu.

Eu acho que Marina Silva estava errada em muitos aspectos, como, aliás, grande parte do movimento ecológico. Por exemplo, eu sou muito menos desconfiado de transgênico do que a maioria dos meus colegas de esquerda. Quando eu era moleque, fui numa passeata no Rio contra Angra II, mas hoje muita gente boa acha que a energia nuclear vai ser a grande fonte de energia limpa do futuro.

Mas isso é inevitável, porque o movimento ecológico, ao contrário, por exemplo, do sindical, do ruralista ou do gay, depende crucialmente de dados científicos sobre os efeitos ambientais de cada tecnologia, e o quadro sempre muda a cada novo estudo que é feito. É difícil para o militante ajustar seu discurso a cada novo momento do processo, e muitas vezes é inevitável, e talvez seja mesmo saudável,  ficar para trás por um tempo.

Além do mais, não foram só conflitos com outras boas idéias (como o PAC) que derrubaram a ministra. Muito desmatamento da Amazônia foi feito exclusivamente pela complacência do governo com políticos da base. Isso não tem perdão, não tem desculpa, e Lula deveria mandar o exército para as manchas de desmatamento para atirar sem perguntar em quem chegar perto portando objetos afiados.

Pode ser que a vergonha de perder Marina Silva dê um choque no governo para que ele preste mais atenção na área ambiental. E pode ser que não.

O que é claro é que qualquer governo do mundo gostaria de ter uma ministra do Meio-Ambiente como essa, e o nosso não tem mais.



17 Responses to “PAC derruba Marina Silva”

  1. 1 André

    Concordo com você sobre a resistência do movimento ecológico e como ela pode estar, algumas vezes, defasada ou errada. Mas aí eu pergunto: este não deve ser mesmo o papel do Ministro do Meio Ambiente do Brasil – em outras palavras, ser o bastião da resistência?

    Imagina só se a Marina Silva chega e fala: “pode plantar transgênico à vontade!” ou então “podem fazer hidrelétricas à vontade!”. Pô, se ela fizesse isto, era para nós irmos em Brasília para pedir a cabeça dela na maior… ou não?

    Outra coisa: quanto aos transgênicos, vi ela dizendo mais de uma vez que o problema era não existirem estudos conclusivos. Ou seja, se você bota uma mesa de debate, 50% vai falar a favor e 50% contra. Pelo princípio do conservadorismo, segundo a opinião dela, então não se deve liberar – não pq eles façam mal à saúde ou não, mas pq não existem conclusões definitivas sobre estes produtos e, mais do que isso, uma vez plantados é quase impossível rastreá-los para informar ao consumidor quais produtos estão sendo vendidos e que foram geneticamente modificados. Notemos que, na reunião do CTNBio que definiu pela liberação do plantio, o voto contrário do MMA foi acompanhado pelo do Ministério da Saúde, pelo mesmo motivo exposto antes.

    Quanto às hidrelétricas, é decisão política, o Lula vai tocar e pronto. Agora, mais uma vez enchendo o saco, um dia assisti na Globonews um debate entre um superintendente do Ibama e uma diretora da empresa que vai construir a hidrelétrica do Rio Madeira. Cara, desculpa te dizer isso, mas daquela conversa eu, pelo menos, não mandaria construir a hidrelétrica não. Primeiro porque os dois lados têm argumentos bons para aprovar ou desaprovar o plano de impacto ambiental. Mas o que me chamou a atenção mesmo foi a previsão da diretora da empresa: em 15 ou 20 anos, 70% do potencial normal do rio estaria recuperado – e tal premissa era vital para a liberação da obra. Como garantir isso?

    Enfim, como disse no meu post, estou com ela até o fim. Posso servir de vidraça defendendo-a assim mas não me importo.

    Abraços,

  2. Grande André, demorou, mas abalou. É isso aí mesmo.

    A única coisa que eu ainda implico é com relação aos transgênicos. Se eu entendi direito, não é que não há certeza a respeito, é que ainda não encontraram nenhum problema, mas pode haver. Pô, mas se for assim a gente vai barrar tudo.

    Há outros problemas no transgênico, como a questão dos patentes das sementes, essas coisas, mas isso aí é outra história. Nada que você encher o saco da Monsanto até a insanidade não resolva. O problema sério mesmo seria se o moleque comesse o negócio e virasse A Mosca do filme.

    Quanto à hidrelétrica, não tenho a menor idéia se é pra fazer, mas se não for, não faz. O Apagão de 2002 foi uma merda, mas deu pra sobreviver. Se der merda na Bacia Amazônica aí sim nós tamo fodido.

    No mais, conte com meu alistamento na brigada de vidraças de defesa da Marina Silva, diga onde é pra jogar pedra que a gente joga.

  3. 3 fabio

    Não tem jeito: saiu do governo, vira santo.
    Agora a imprensa que detonou a Marina nos últimos 6 anos quer transformá-la em mártir da causa. E o NaPrática, pra variar, vai junto.
    Fazem 6 anos que ela é ministra. Os resultados da gestão podem ser lidos em sua carta de demissão. Algum elogio a esses resultados? Não. Pelo contrário. Agora é assim: “Pode ser que a vergonha de perder Marina Silva dê um choque no governo para que ele preste mais atenção na área ambiental.”.
    Não tem ninguém com vergonha, NaPrática. Estamos orgulhosos da política e dos resultados alcançados pelo PT a frente do ministério. E tudo indica (no caso, tudo é Jorge Viana, próximo a Marina, ou o Minc, melhor do que a Marina) que continuaremos a ter motivos para orgulho.

    PS. Antes que recorram ao culpado de plantão (ele mesmo, o mentor do mensalão, o assassino da menininha Nardoni e o assaltante das jóias da Hebe, o que vetou a aliança em BH e causou o terremoto na China), é bom lembrar que a Marina sai porque, acertadamente, o governo deu ao Mangabeira Unger a coordenação do PAS. Se como o André disse o papel que a Marina assumiu foi o de “bastião da resistência”, caberia a alguém com visão mais ampla coordenar o programa. Afinal, é um programa de desenvolvimento sustentável, não um programa anti-desenvolvimento.

    PS. Uma pena que, parece, O Minc não quer mesmo sair do Rio. Saua atuação na secretaria tem sido, na minha opinião, bem mais lúcida do que a da Marina.

    PSTU. Sobre a OI eu nem vou comentar. Tá na hora de deixar os chavões de lado, NaPrática. Mas deixo de presente o que pensa a respeito o Jorge Bittar.
    http://www.jorgebittar.com.br/070530_ef_fusao.htm

  4. 4 André

    NaPrática, quanto aos transgênicos, concordo com o que você disse sobre ficarmos nesta de não liberá-los indefinidamente pois nenhum problema foi encontrado neles. A questão é que não temos ainda muitos estudos para a utilização dos transgênicos em clima tropical – a coisa tá mais bem “esquadrinhada”, por assim dizer, para os países de clima temperado.

    Numa dessas pode ser que os transgênicos sequer causem problema para a saúde dos indivíduos que os consumirão. Mas e a questão do desequilíbrio ambiental para o clima tropical brasileiro? Este é um problema gravíssimo pois numa dessas de liberar transgênico em áreas não estudadas podemos estar destruindo alguns ecossistemas consideráveis. Acho que este era um dos pontos defendidos pela Marina.

    Concordo com o Fábio sobre a questão da coordenação do PAS ficar nas mãos de alguém que tenha “visão mais ampla”. Mas esta visão passa pelas opiniões, estudos e posições existentes no MMA. Não fazer este ministério participar da discussão é escanteá-lo e despretigiá-lo de uma maneira absurda. Se for pra ser só a rainha da Inglaterra, é melhor que a Marina saia mesmo de lá.

    Abraços,

  5. 5 fabio

    André
    O MMA foi o principal coordenador do projeto, e participa da da sua execução.
    Se fosse para fazer papel de rainha da Inglaterra seria melhor sair mesmo. Mas a Marina não saiu por isso, saiu porque queria fazer papel Luis XIV. Convenhamos: o Estado não é ela.

    Um abraço

  6. 6 André

    Fábio,
    sei não se esta participação é pura formalidade… Mas, enfim, se o MMA participa do PAS, mesmo que com opiniões minoritárias, creio que a Marina não sairia então por este motivo. Ela esteve durante 5 anos e meio sob fogo cruzado (de dentro do próprio governo) e sempre foi voz dissonante na CTNBio, mas nem por isso abandonou o cargo anteriormente.

    Então, creio que voltamos ao título do post do NaPrática: se o MMA participa mesmo do PAS, quem derrubou a Marina foi o PAC. Os caras estão querendo fazer o negócio andar e ela era um empecilho a isto.

    O problema pra eles agora é o seguinte: será Jorge Viana um mero “carimbador” de concessões ambientais ou terá uma postura como a da Marina? Difícil questão, já que Viana faz parte do grupo de Marina…

    Acho que o ministro ideal pro governo agora é o Sarneyzinho… Que tal, hein?🙂

    Abraços,

  7. AAAAAHHHHH, Sarneyzinho não! Se for o caso, chega de intermediários, coloquem o Blairo Maggi.

    Mas concordo com o Fábio, não acho que tenha sido o negócio da Amazônia do Mangabeira. O Mangabeira é fraco pra cacete no governo.

  8. Os comentários estão saindo fora da ordem de postagem por algum motivo.

    Eu gosto muito do Minc, estava falando bem dele um post atrás. Agora, se ele não quiser pode ser bem por ter medo de virar figura alegórica. Se bem que o Viana é um dos grandes nomes de sua geração, mesmo, se viesse de um Estado maior já seria presidenciável.

    E Fábio, se você checar aí os posts antigos, vai ver que sempre gostamos da Marina aqui (quem não gostava dela dentro do PT?), embora mantenha minha posição nos negócios dos transgênicos. Aliás, caso não tenha notado, eu apóio o governo Lula.

    Agora, quando eu era do PT a idéia era criticar MAIS os que a gente apóia do que os que a gente é contra. Se o FHC achou o PT chato durante os anos 90, é porque ele não sabe como sofreu o Lula.

    Em tempo: o trade-off desenvolvimento vs. ecologia é difícil, mesmo, não tem lado certo a priori. A questão é que, se a hidrelétrica saísse com a Marina Silva lá, eu teria certeza de que alguém encheu o saco do Lula com os argumentos contra, e o trade-off teria sido mais bem pensado.

  9. 9 fabio

    André

    O PAC não derrubou a Marina. As licensas ambientais para o Madeira já sairam há meses. Não existe hoje nenhuma pendência de licensiamento que se compare às que já foram resolvidas. E para lembrar ao NaPrática: a questão é escolher as fontes de energia que serão utilizadas, não se precisaremos de mais energia. Essa segunda questão já foi resolvida. Na década de 60. É a famosa oposição social x ecológico, em que o Gabeira, o moderno, continua se aferrando, e no NaPrática, acriticamente, reproduzindo. Essa questão, a da necessidade de gerar mais energia, de fato é política. A evolução de ecologistas para ambientalistas diz respeito a ela. Todo o conceito de desenvolvimento sustentável supõe combinar desenvolvimento econômico com desenvovimento social e responsabilidade ambiental. Não supõe, de forma alguma, vetar o desenvolvimento – fato sobre o qual a ministra esbanja conhecimento

    A Marina esteve realmente sob chumbo grosso. Madeireiros, ruralistas, etc. Inclusive ruralistas representados dentro do governo. Em todo esse tempo ela contou com o apoio do PT. O próximo ministro, se for um dos que estão sendo mencionados, com certeza continuará com esse apoio. Certamente estaremos, ainda, sob chumbo desses setores. O Sarneysinho continuará no partido do Gabeira, aliado aos aliados do Gabeira.

    Ao MMA coube a secretaria-executiva do grupo que elaborou o Plano. Indicado pela Marina. Foram cinco anos para elaborar esse plano. Muitas reuniões – aliás, era disso que a imprensa reclamava. Ongs, governos estaduais, audiências públicas, etc.
    Cito:

    “A proposta do PAS surgiu em 9 de maio de 2003, em Rio Branco (AC), em reunião do presidente Lula da Silva com os governadores dos Estados da região Norte, quando foi aprovado o documento ‘Amazônia Sustentável’.
    Um Termo de Cooperação foi então assinado e em junho de 2003 foi criada a Comissão de Coordenação Interministerial do PAS, sob a coordenação do Ministério da Integração, tendo o Ministério do Meio Ambiente como Secretaria Executiva e o Ministério do Planejamento e a Casa Civil como responsáveis pela compatibilização do PAS com o Plano Plurianual – PPA 2004/07, em elaboração. Após a discussão das diretrizes gerais e das estratégias recomendáveis para a Amazônia no processo de consultas públicas do PPA 2004/07, foi elaborada a ‘versão preliminar para discussão’ do PAS, em outubro de 2003.”

    “Em 2007, foram realizadas consultas públicas nas capitais dos nove Estados que fazem parte da Amazônia Legal: Cuiabá (MT), Belém (PA), Macapá (AP), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Palmas (TO), São Luís (MA), Manaus (AM) e Rio Branco (AC). Cerca de 3 mil pessoas participaram da Comissão como representantes de organizações de empresários, de movimentos sociais, universidades, governos municipais e estaduais, além de técnicos do governo federal. Em 2007, o PAS foi tema de debate em seminários preparatórios e no I Simpósio Amazônia e Desenvolvimento Social, que contou com a participação de 2 mil representantes de diversas organizações.
    O processo de construção do PAS resultou na implementação e execução de políticas públicas na região como as ações do Plano BR-163 Sustentável, com destaque para a criação do Distrito Florestal Sustentável da BR-163; as operações conjuntas entre o Ibama, a Polícia Federal e o Exército com o objetivo de combater os desmatamentos ilegais e a grilagem de terras públicas, desenvolvidas no âmbito do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento Legal; a elaboração do Plano de Desenvolvimento Territorial Sustentável para o arquipélago de Marajó; e as ações que fazem parte do programa Territórios da Cidadania” http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=12420&Itemid=195

    “Marina Silva comentou que o PAS é uma quebra de paradigmas na forma de pensar a Amazônia na busca de um caminho de desenvolvimento sustentável. “Ter autoria em alguma ação é muito valioso, mas a co-autoria é ainda mais importante, porque significa uma construção de vários, e o PAS representa isso, é um produto vivo”, diz a ministra.
    O governador Binho Marques reforça o que disse o presidente Lula quanto à competência da ministra Marina Silva, e concorda com o título de “mãe” do PAS, por ela ter atuado no desenvolvimento de todo o seu processo de elaboração, acreditando no Plano como uma nova e boa forma de desenvolver a região. ”
    http://www.agenciadenoticias.ac.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=3933&Itemid=26

    A íntegra dos PAS:
    http://www.mma.gov.br/estruturas/sca/_arquivos/pas_versao_consulta_com_os_mapas.pdf

    Ela abandonou o cargo agora porque queria a direção de fato do programa, ou seja, a sua gerência executiva. Durante toda a elaboração do programa ela teve essa gerência. Agora na implementação é do Mangabeira. E, repito, acertadamente.

  10. 10 André

    Bem, Fábio, você provou que o MMA participou da elaboração do PAS. Mas com relação às hidrelétricas ainda acho que algumas etapas estão “emperradas” lá no MMA. Eles têm uma licença prévia pra construir mas acho que precisam de mais estudos de impacto para baterem o martelo e mandarem ver nas hidrelétricas.

    Enfim, pode até ser que esse negócio das hidrelétricas – e, por consequência, do PAC – já tenha sido resolvido e que isso, efetivamente, não tenha derrubado a Marina. Se isto realmente ocorreu, não teria sido nem o PAC nem o PAS que a teria derrubado.

    Agora vou falar um negócio que é crença mesmo: duvido que ela tenha deixado o cargo porque queria a gerência executiva do PAS. Não vejo a Marina como uma mulher sedenta por poder e que largaria o ministério porque não lhe deram uma coordenadoria de um projeto tão grande. Pode ser que a imprensa especule isto e que muitas pessoas achem isto, mas eu não acredito. Não creio que ela tenha este tipo de vaidade.

    Acho que a questão é mesmo a falta de apoio político – coisa de bastidores mesmo. A Dilma devia estar brigando com ela direto, o Lula já a tinha largado à própria sorte, não havia mais clima político para que ela permanecesse. Se não foi o PAC que a derrubou (o que eu ainda acredito que tenha contribuído para a queda dela, e nisso o NaPrática concorda comigo), com certeza o motivo da saída dela não foi o fato dela querer a gerência-executiva do PAS.

    Porém, isto é apenas uma crença que eu tenho – discordante da do Fábio, que acredita que ela queria continuar se fosse pra mandar no PAS. Enfim, torçamos para que o Mangabeira faça um bom trabalho – se bem que eu pelo menos não confio nele já há um bom tempo…

    Abraços,

  11. 11 fabio

    Bem, André, respeito a sua opinião.
    Mas só para esclarecer: eu não acho que ela queria a gerência do PAS porque ela gosta de mandar ou porque seja sedenta de poder.

    Até mais

  12. 12 fabio

    É rir para não chorar.
    O que O Globo diz sobre Minc ter aceito o MMA:

    “O que de fato Lula espera do novo ministro Carlos Minc: que não crie problemas para ele como criou Marina com sua defesa obstinada do meio ambiente. Que libere rapidinho licenças ambientais para obras que o governo julga necessárias. E que jamais trombe com a ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, a mãe do PAC, como trombou Marina tantas vezes.”
    Noblat

    “O que aconteceu ontem foi que Lula convidou Minc e Cabral autorizou sua ida. Mas o PT, no final da noite, acabou vetando o nome dele. Então a solução para que todos saíssem bem na história, por sugestão de Cabral, foi Minc dizer que recusou.”
    Miriam Leitão

  13. André, entendo o que o Fábio está dizendo sobre a sede de poder: ela podia querer o controle do projeto por achar que faria melhor que o Mangabeira (algo plausível), por exemplo. Mas não acho que o Mangabeira tenha moral no governo pra causar a demissão de ninguém, não.

    Quanto ao Minc: respeitaria ele se tivesse recusado, respeito por ter aceito. O cara não quer substituir a aliada, mas não vai deixar a vaga aberta para alguém sem a mesma combatividade.

    Agora, se acham que ele vai pelegar, suspeito que vão ter surpresas. Continuo lamentando a demissão de Marina Silva, mas fico mais tranquilo com a nomeação do Minc. Meu pânico era um sujeito qualquer do PMDB ir parar lá.

    (estou supondo que o Minc aceitou, mesmo; o noticiário está meio confuso, como notou o Fábio, e a especulação está rolando solta).

  14. 14 fabio

    Pô, NaPrática, eu nem gosto de escrever tanto. Acho meio coisa de chato. Enfim, já comecei:
    Não é uma briga pessoal Marina x Mangabeira. É uma política ambiental do governo. É uma política de desenvolvimento do governo. O Mangabeira ganhou a gestão porque o governo decidiu, não porque ele é mais forte do que a Marina. E ela saiu não porque ficou com raiva do Mangabeira, mas porque não gostou da decisão e acha que, nessa situação, pode fazer mais por suas idéias no Senado, onde não é obrigada a contemporizar.

    E só para mostrar que eu continuo obcecado (já que eu já vim até aqui, né?): em “se acham que ele vai pelegar”, não seria melhor definir o sujeito de “se acham”?

    Um abraço, NaPrática.

  15. Grande Fábio, escreva bastante, a polêmica anima o ambiente.

    O sujeito da frase, no caso, é o Noblat da sua citação. Mas tive essa impressão vendo a cobertura do caso essa manhã nos jornais, também.

    Claro, eu posso estar errado. Mas eu tenho aqui minha confiança no Minc.

    Abração

  16. 16 fabio

    NaPrática
    O Noblat não é o sujeito, ele é o autor da frase.
    No caso dele, eu sei que o sujeito indeterminado a que ele se refere, o “eles”, é o governo. Mas fala pra mim: alguém que conhece o Minc acharia uma coisa dessa?
    A frase só faz sentido se o “eles” forem os ruralistas. Se os ruralistas acham que o Minc vai ser um pau mandado deles, é certo que terão uma surpresa.
    A impressão que você teve é sobre o discurso da imprensa, NaPrática, não sobre as posturas do governo. Segundo a imprensa, o PT vetou o Minc. Isso diz a especialista em PT Miriam Leitão.
    A imprensa não cobre o assunto, NaPrática. A imprensa faz campanha, e de baixo nível.

    Um abração

  17. Ah, sim, estou falando da cobertura da imprensa, mesmo. E essa história de PT vetou o Minc é meio estranha. Quem poderia vetar o Minc seria:

    1) a turma radicalzona, que não apita nada no governo.

    2) algum rival no PT carioca, mas não vejo porque o Bittar, que seria quem teria influência para tanto, faria isso, muito pelo contrário.

    Ou seja, não levo fé, não. Outros partidos da base, esperançosos de que colocassem um pelegão, poderiam vetar, mas aí é outra história.


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