Fundo Soberano (II)

16maio08

Artigo bacana no Daniel Drezner sobre os fundos soberanos. A perspectiva dele é diferente da nossa: ele quer saber se vale a pena lidar com os FS, nós queremos saber se vale a pena fazer um. Mas é uma boa abordagem geral do assunto.

Mantenho a mente aberta sobre o assunto, quando tiver uma opinião eu digo.



3 Responses to “Fundo Soberano (II)”

  1. 1 fabio

    Subsídio para te auxiliar a formar uma opinião.
    Ou pelo menos para não reproduzir notinhas distorcidas do Ancelmo Góes:

    IG – A atual alta da inflação se deve, basicamente, aos alimentos? Se sim, é correto combater inflação de alimentos com elevações na taxa de juros?
    Guido Mantega – Estamos vivendo hoje uma elevação da inflação em nível mundial. O Brasil, diga-se, tem tido um desempenho melhor do que a maioria dos outros países. Estamos cumprindo à risca as metas de inflação e, apesar de estarmos sofrendo um choque de alimentos, um choque de commodities metálicas e de energia, estamos perfeitamente dentro da meta. O que não é o caso da China, da Índia, da Rússia, do Chile. Os Estados Unidos estão com uma inflação, não do núcleo, mas da inflação cheia, de mais de 4% ao ano. A União Européia, de 3,5%. O Brasil está tendo um desempenho excepcional.
    Vivemos de fato uma forte pressão de alimentos. É claro que aumentos fortes nos alimentos entram na cadeia produtiva e vão para preços industriais. Mas é derivado do choque de alimentos e alguns metálicos. Não temos inflação estrutural. O setor automobilístico, por exemplo, que é um setor de ponta, com grande impacto na economia, teve inflação de 2,8% no ano passado. Muito abaixo da média.
    Há problemas sazonais, como o do feijão, que enfrentou secas, ou de escassez, como no caso do trigo, o que impacta direto o preço do pão, as cotações do petróleo… Mas o Brasil tem uma grande vantagem. Somos grandes produtores de alimentos. O problema dos alimentos no mundo pode ser uma oportunidade para nós. Podemos preencher a demanda internacional aumentando a nossa produção.

    IG – Então, o ataque clássico da inflação, na base da contração monetária, via alta de juros, como o BC vem fazendo, não é adequada?
    Mantega – O ataque clássico não vai mudar o preço do trigo, do milho. Não afeta isso. O que temos de impedir é que a inflação que vem de fora contamine o resto da economia. De fato, além dessa pressão de preços, temos um aquecimento da demanda. Não podemos deixar que fique excessiva. Queremos que a demanda continue robusta, mas não seja explosiva. Então, temos de tomar medidas para encarecer um pouco o crédito à pessoa física, com mais IOF, aumentar o compulsório dos bancos nas operações de leasing etc. Temos tomado medidas para atenuar algum exagero do lado da demanda. A demanda interna está crescendo a 7% ao ano e agora o fundo soberano vai diminuir a demanda do governo. O governo vai manter os investimentos e os programas sociais, mas o excesso de arrecadação que engrossar o superávit primário será transferido para o fundo soberano.

    IG – A meta de inflação tem um centro e um intervalo. Deve-se sempre perseguir o centro da meta ou é adequado também considerar o teto da meta, em circunstâncias, por exemplo, como as atuais? Seria adequado utilizar, neste momento, todo o espaço dos intervalos da meta?
    Mantega – Devemos cumprir à risca o que diz o regime de metas de inflação. O regime de metas diz que o Banco Central deve perseguir a meta, preferencialmente o centro da meta, não quer dizer que vai acertar o centro, mas é o desejável. Contudo, se houver choque de oferta, choque de alimentos, há uma margem de tolerância, a margem oferecida no regime, que existe para ser usada, quando for o caso.

    IG – Sendo assim, não seria o caso de não pressionar tanto os juros, que afetam diretamente o câmbio, pois ainda há margem dentro do regime de metas?
    Mantega – Não devemos usar apenas um instrumento, mas um conjunto de instrumentos, porque a eficácia, logicamente, é maior. Devemos usar a taxa de juros, mas também combinar com redução de gasto público, com redução da expansão do crédito, e assim por diante.

    IG – Localiza na crítica insistente ao “aumento acelerado do gasto público” algum viés ideológico?
    Mantega – Essa crítica é infundada. Estamos cumprindo à risca as metas fiscais estabelecidas e até as ultrapassamos. No ano passado, para uma meta de 3,8% do PIB, fizemos um superávit primário de 4%, reduzimos a relação dívida-PIB. Isso não elimina o fato de que estamos investindo mais e temos programas sociais. Mas investir e fazer programas sociais não é aumentar gastos. Quando falam em gasto, falam de um modo pejorativo, como querendo dizer que o governo é esbanjador, que torra dinheiro público. Não estamos torrando dinheiro público, estamos utilizando bem o dinheiro público. Estamos aumentando investimento e programas sociais e isso influencia, positivamente, o desempenho da economia. A economia não estaria bem como está se não tivéssemos aumento da oferta de infra-estrutura e os programas sociais que aumentam a renda do trabalhador e ajudam a formar um mercado de massa. Fazemos isso respeitando rigorosamente as metas fiscais. Em março, tivemos um resultado recorde. No primeiro trimestre obtivemos 50% a mais de primário do que no primeiro trimestre de 2006. Registramos até mesmo superávit nominal. Então, não dá para criticar.

    IG – E por que, então, as críticas não cessam?
    Mantega – Tem gente que tem má vontade, tem gente que acha que o Estado não deveria investir em infra-estrutura ou fazer o PAC, tem gente que acha que o Estado não deveria fazer programas sociais. Esse é um equívoco. A prova do pudim é comendo, não é argumentando sobre hipóteses, é vendo o resultado prático e nosso resultado prático, reconhecido internacionalmente, tem sido o melhor possível.

    IG – Com o fundo soberano, o governo se obrigará a produzir excedentes sobre a meta de superávit primário, para alimentá-lo?
    Mantega – Será uma forte motivação para fazer excedentes. O fundo é uma modalidade de superávit primário, é verdade. Mas a diferença é que, em lugar de esterilizar os recursos do superávit primário, esses recursos ficam ativos. É um primário ativo. Com esses recursos, vamos apoiar o comércio exterior e outras atividades, o que resultará em mais rendimentos. É uma ação que mata dois coelhos num só golpe: de um lado, diminui o gasto público e, ao mesmo tempo, gera valor. Com o fundo soberano vamos introduzir o conceito de ação anticíclica, que não havia na gestão orçamentária. Vamos armazenar valor no período de vacas gordas, valor primário, para usar, na eventualidade de uma necessidade, em situações de queda no ritmo de crescimento.

    IG – O senhor ficaria bravo se a gente dissesse que agora teremos uma meta de superávit fiscal ampliada, só que não formalizada, e, por isso, envergonhada?
    Mantega – Pode falar. Tem gente que acha que o primário é só esterilização. Declarei que vamos fazer mais superávit, pelo menos mais meio ponto percentual do PIB. Declarei que vou tirar dinheiro do Tesouro para o fundo. Não é envergonhado. Pode dizer que é inteligente.

  2. 2 fabio

    15/05/2008 – 19h15
    FMI elogia fundo soberano e diz esperar novo grau de investimento para 2008

    O FMI (Fundo Monetário Internacional) avalia como positiva a criação do fundo soberano, anunciada nesta semana pelo governo. O vice-diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo, José Fajgenbaum, que esteve hoje no Ministério da Fazenda, também disse que as perspectivas para a economia do Brasil são muito positivas e diz esperar que mais uma agência conceda o grau de investimento para o país ainda neste ano.
    Apesar de não possuir mais dívidas com o FMI, o Brasil passa por uma avaliação anual por ser membro do Fundo.
    Em relação ao fundo soberano, ele disse que é “uma boa idéia” fazer um superávit primário excedente e usá-lo como poupança de longo prazo. A meta de superávit primário (dinheiro que o governo economiza para pagar os juros da dívida) para esse ano é de 3,8% do PIB. No primeiro trimestre, no entanto, a economia chegou a 4,5% do PIB estimado para o trimestre, número que foi elogiado também por Fajgenbaum.
    “O governo já tem um superávit primário bom, 4,5%. De acordo com a necessidade do país. Isso é uma boa idéia [fazer um superávit acima de 3,8%]”, disse o vice-diretor. “É uma fonte de poupança muito importante para o país. [O governo] pode usá-lo como medida anti-cíclica: quando há necessidade, se usa esse recurso.”
    Ao elogiar a economia do país, ele disse esperar que “pelo menos mais uma” agência internacional de classificação de risco conceda o grau de investimento para o país ainda esse ano.
    O Brasil alcançou essa classificação no final de abril pela agência Standard & Poor’s. A agência Moody’s já informou que manterá a nota do país abaixo desse nível por enquanto. Se espera agora o resultado da avaliação da Fitch.
    “Felicitamos o ministro pelo grau do investimento e esperamos que em breve outras agências de rating dêem o grau ao Brasil”, afirmou. Pelo menos uma [nesse ano].”
    Fajgenbaum elogiou também as medidas tomadas pelo governo para segurar a inflação, entre elas, o aumento da taxa de juros, e disse estar “otimista” em relação aos resultados.
    “A inflação tem uma parte que é de produtos alimentares e tem outra parte de demanda aquecida que o governo e o Banco Central estão tentando resolver. As medidas que estão sendo tomadas são boas, a alta dos juros, o [superávit] primário do governo.”

  3. 3 fabio

    12/05/2008 – 19h09
    Presidente da Braskem diz que criação de fundo soberano desperta interesse
    RIO – O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, comemorou a decisão do governo de criar um fundo soberano para apoiar empresas brasileiras. De acordo com o executivo, a iniciativa é a “mais interessante no curto prazo” entre todas as medidas de apoio a 24 setores da economia nacional, apresentadas hoje no âmbito da Política de Desenvolvimento Produtivo.
    “O que mais chamou a atenção e mais me interessa no curto prazo é a possibilidade, eventualmente, que as empresas brasileiras terão de usar parte desse fundo soberano para financiar programas de expansão, de internacionalização ou até de aquisição no exterior”, ressaltou Grubisich. “O fundo soberano é uma atitude corajosa que entra em linha com as grandes economias do mundo e vai certamente ajudar as empresas brasileiras a crescerem para o mercado mundial.”


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