Conan já pode casar com Braddock

17maio08

E a Califórnia, apesar de ser governada pelo Conan, acaba de legalizar as uniões civis entre homossexuais. O Papa fez um documento dizendo que só o casamento entre homem e mulher são abençoados. Eu não acho essa diferença tão irreconciliável assim. A Igreja é um troço, o Estado é outro.

O Estado não pode se meter nos contratos civis que os caras fazem, uma vez que eles não atrapalham a vida de ninguém. Por outro lado, o casamento tem uma dimensão cultural específica, e existia antes do Estado moderno (foi, por assim dizer, estatizado, quando se passou a usar o poder estatal para fazer valer os itens de seu contrato). Daí que se quiserem continuar chamando só os casamentos hetero de casamento, e deixar para chamar os casamentos gays de, sei lá, união civil, parece um compromisso razoável.

Não sei se expliquei direito, mas o Andrew Sullivan, que é católico, gay, e fodão, deve ter explicado:

“I revere heterosexual unions and heterosexual marriage. When such a union produces biological children, it also reaches mystical, powerful heights of human experience. I wouldn’t want it substituted by or confused with anything else. In Catholic theology, you can easily see why the sacrament of matrimony is exclusively heterosexual – because this newest sacrament is all about reproducing.

But as a civil matter, in an institution not intrinsically linked to procreation any more, I don’t see why the secular law should forbid others enjoying the same rights and responsibility in the same civil institution, regardless of fecundity, children or sexual orientation. It isn’t either-or. It’s both-and. Of course, this Pope rejects the distinction between secular law and Catholic theology. But the correct civic response to this is to tell this guy to take a flying jump. Religious authorities should not control secular law. ”

É isso aí, eu acho.

UPDATE: aí nos comentários tem um artigo do Igor publicado originalmente no “ultra-liberal-quando-vejo-cobrador-de-impostos-saco-meu-revólver” Instituto Millenium🙂, com a mesma idéia do texto do Sullivan.



One Response to “Conan já pode casar com Braddock”

  1. 1 Igor

    O cara é fodão mesmo. Abaixo, sobre o mesmo assunto, reproduzo (sem piadinhas) um artigo que escrevi para o Instituto Millenium. Fiquei com preguiça de achar o link. É quase a mesma opinião, mas sem o brilho do Sullivan, é claro.

    Os debates atuais acerca do casamento gay têm sido um intrincado de minúcias frívolas: se a união homossexual pode ser definida juridicamente como matrimônio, se quem pessoalmente reprova a idéia deve ser chamado de homófobo… Nada disso importa. As discussões caminham bizantinas para uma luta de gostos e sofismas. E a maior causa do problema, a estatolatria, continua intacta.

    Quando a Primeira República iniciou sua marcha positivista, Antônio Conselheiro protestou, entre outras coisas, contra o governo ter se apoderado do registro do matrimônio. O rebelde messiânico morreu com milhares de outros crentes agarrados à idéia de que a laicidade corrompera o país. Não considero “laicidade” o melhor termo, trata-se, pois, da religião da infabilidade estatal, aonde a aprovação de um contrato de casamento fica à mercê de pajés carimbadores e do agrado aos novos deuses.

    Mesmo as drag queens mais doidivanas deveriam aprender com esses religiosos enfiados num bunker sertanejo em Canudos. Organizações arco-íris empenham-se em convencer os legisladores de suas posições, no entanto, deveriam dizer aos políticos não endossarem posição alguma. Ninguém deve ser refém dos caprichos e opiniões pessoais de congressistas para que seja celebrado o encontro das vontades entre adultos. Não adianta separar a Igreja do Estado se o Estado não desgruda de você.

    Duas pessoas responsáveis (ou mais) podem perfeitamente estabelecer um acordo para constituir uma vida em comum sob tais e tais condições. Por que a Assembléia Nacional outorga-se o direito de aprovar, regular ou invalidar um pacto fincado em bom entendimento? Ou taxar sobre ele? Ou impedir os efeitos desejados pelas partes? Essas, sim, são as únicas questões relevantes. Ter de pedir permissão para concretizar uma aliança que só diz respeito aos envolvidos, ao invés de questionar a legitimidade da interferência, não é um protesto, é parte do problema.


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