The O.C.

30jun08

Um colega que sempre comenta aqui me sugeriu ouvir um dos podcasts do Olavo de Carvalho em que ele falava um negócio interessante. Fui lá e não deu pra ouvir, não. Muito ruim. O cara ficou completamente refém desses comentaristas malucos da direita americana.

O problema do OC, na minha opinião, é simples: ele não gosta de política. Se você vê ele falando sobre literatura, ou religião, ele pode até falar besteira, mas você sente que ele pensou sobre aquilo, você vê que aquilo é importante pra ele. Até o tom de voz muda. Mas quando ele fala de política, ele não está interessado, ele quer se livrar do problema logo, e que maneira melhor de fazer isso do que aderir a alguma visão ampla do processo político mundial que ofereça respostas rápidas para todo problema?

Melhor ainda, se ele se isolar mesmo do mainstream conservador, vai ter a eterna vantagem do PSTU: a partir de um certo grau de radicalismo, a chance de implementação de suas propostas é zero, e você nunca vai ser responsável por nada que der errado (ou certo).

Infelizmente, o emprego dele é falar de política. Como não tem conservador mainstream decente no Brasil, usam ele para isso. Até acredito que o cara faça o que possa, mas ele não gosta desse negócio, e política é uma coisa sutil demais para o cara que não se interessa comentar.



3 Responses to “The O.C.”

  1. 1 Renato

    1) Olavo de Carvalho entende de literatura sim… Ele tem uma importante recuperação da obra de Otto Maria Carpeaux, restabelecendo sua importância como crítico de literatura e de música. Além disso, sua apresentação ao livro de Arthur Schopenhauer sobre a dialética erística (“Como ganhar um debate sem ter razão”, Top Books, 2003) são realmente muito bons. Os textos dele sobre filosofia e literatura valem a pena serem lidos – ainda que eu não concorde com rigorosamente nada, NADA, dos seus pressupostos teóricos: seu racionalismo essencialista e a-histórico, a predominância da cultura erudita sobre a popular (e não o diálogo entre as duas), sua apologia a uma moralidade cristã tida como imutável e inabalável – o que aliás, aproxima demais suas apreciações sobre literatura e filosofia ao que escrevia Tristão de Ataíde, no século passado… Mas O C é um erudito com uma excelente capacidade de argumentação e polêmica, constituindo – goste-se ou não – em contraponto importante à uma certa tradição de caráter mais meta-lingüístico que se estabeleceu no meio literário brasileiro, desde o Concretismo.

    2) Do ponto de vista político, não é bem que ele não goste de política… É que ele precisa de tratamento mesmo! Tá doido! Pirou, chamem a emergência!!! Desculpe, não dá pra levar à sério… É uma versão à direita da boa e velha teoria da conspiração, nada mais. Ele e o Reinaldo Azevedo – que, se pudesse, restauraria a monarquia no Brasil… Pior para os leitores que consomem paranóia ao invés de crítica.

    3) Por falar em paranóia: já viram quantidade de blogs paranóicos denunciando uma suposta conspiração comunista no governo Lula para corromper o Brasil? Gente doida…

  2. 2 Renato

    Apenas para arrumar a concordância no ítem 1: ” seu prefácio e a introdução ao livro de Arthur Schopenhauer sobre a dialética erística (”Como ganhar um debate sem ter razão”, Top Books, 2003) são realmente bons.”

    So sorry… Odeio escrever com pressa.

  3. Grande Renato, nosso candidato a deputado federal no Pará, mesmo que ele não saiba ainda que é candidato! O que eu gosto das coisas que o OC escreve sobre literatura é que ele cita uns autores bons que normalmente somem no debate brasileiro, o que é muito bom. E ele escreve muitíssimo bem: na verdade, quando ouvi o programa de rádio dele cheguei à conclusão que eu praticamente só lia os artigos dele por causa do estilo, mesmo. Eu li o “Jardim das Aflições”, qualquer dia comento, esse é bem doidão, embora tenha umas idéias boas aqui e ali (e uns negócios francamente errados).

    Eu ainda acho que ele não gosta mesmo de política, ele quer se livrar dos problemas, não está afim de pensar neles a não ser como manifestações de grandes histórias sobre religião e cultura. Aí saem essas historinhas sobre o grande plano de dominação socialisto-budisto-georgesoroso-islâmico-concretista. Que é a única coisa que o grande público dele, e o RA, entendem.


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