Hayek

02jul08

Artigo interessante sobre “O Caminho de Escravidão” na Dissent (que anda ótima, vou botar um monte de coisas aqui). O texto faz vários elogios ao cara (que os merece), mas, como vocês já devem ter adivinhado pela revista em que foi publicado, discorda no geral (como eu também faço). Mas achei especialmente interessante esse trecho:

“In titling his individualist manifesto The Road To Serfdom, Hayek clearly was equating collectivism with a tendency to slavery. It is surprising that he apparently did no research on the historical roots of serfdom. For serfdom in Russia came about through the loss of collective solidarity, as free peasant communes, starting in the mid-fifteenth century, first lost their community right to negotiate terms with estate holders throughout the year, except on St. George’s Day; then saw this exception suspended, and finally terminated by decree. With no bargaining power, and with the state on the side of its aristocratic vassals in underpopulated rural Russia, the peasants became the property of the estate and later of the manorial lord.”



5 Responses to “Hayek”

  1. 1 Igor

    Olha, “O Caminho…” é um livro-manifesto, não acho que cabe esse tipo de crítica, exigir pesquisas mais elaboradas, etc. Ali a intenção de Hayek não era exatamente chegar nos cientisas políticos, historiadores, economistas. Aliás, foi muito criticado no meio acadêmico por isso. A Dissent teria que pegar outras obras do Hayek para fazer o tipo de abordagem que fizeram, um trabalho cascudíssimo de debate intelecual. De qualquer forma, bem interessante a observação da revista (muito boa mesmo) sobre a servidão na Rússia. Já virei leitor.

  2. Ah,é, eu sei, o “Caminho” é o pior livro do Hayek que eu já vi, e a tese de que o socialismo de tipo trabalhista do pós-guerra levaria a um regime mais ou menos soviético se revelou uma furada. O Hayek dá show mesmo é no debate sobre o cálculo socialista. Esse negócio da Rússia é mais uma tirada, mas achei boa.

  3. 3 Igor

    Acho que as duas melhores sacadas dele são a desestatização do dinheiro e, segundo, a impossibilidade de se ter um governo grande, centralizado e organizador eficiente pelo número inabarcável de informações que este precisaria dominar. O último insight é, para mim, irrefutável.

    Hayek teve uns desentendimentos com Mises e debateu metodologia com Friedman. Acho que ele estava certo em todas as coisas, embora não passe disso: achismo meu. Os três volumes de “Direito, legislação e liberdade” são um absurdo de bons. Há outros livros, mas não tenho a menor condição de acompanhar. Bem, pelo menos posso dizer que “Fatal Conceit: Or the errors of socialism”, seu último livro, é mais acessível e acerta onde “O Caminho…” errou.

    Um economista que leva em conta conceitos como moralidade e civilização é raro, por isso eu gosto tanto dele.

  4. 4 Jonas

    Que o Hayek teve bons insights, isso poucos negam. Agora, daí a dizer que livros como “Law, legislation, and Liberty” são um “absurdo de bons”, acho um tanto exagerado. Como o Hobsbawn, seus escritos são demasiado marcados pelo clima da guerra-fria. O livro 2 do LLL, “The mirage o social justice”, é um absurdo. Ponto. Retórico, as boas idéias acabam sendo perdidas em uma certa paranóia anti-estado. Toda a discussão em torno das virtudes da tal “spontaneous order” ilustram bem isto. E, on fairness, o gajo da Dissent cita o LLL, apesar de fazê-lo somente lá pelo final do seu artigo. Li o Hayek ao mesmo tempo que lia o Rawls, e os dois complementaram-se muito bem. Claro, não há dúvidas: (com o Rawls, Nozick, Dworkin, G. Cohen, Walzer) ele é leitura obrigatória, principalmente o LLL.
    PS. A quem interessar, o melhor scholar do Hayek que conheço é o Chandran Kukathas (http://www.lse.ac.uk/collections/government/whosWho/profiles/C.Kukathas@lse.ac.uk/default.htm), que escreveu “Hayek and the Modern Liberalism”. Ele também escreveu um bom livro sobre o Rawls. Ao final de sua vida, acho que o Merquior escreveu um artigo sobre o Hayek.

  5. Jonas, seja bem-vindo, comentário muito bacana, vou atrás dessas referências que você passou.


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