China no Mais!

03ago08

o Mais! de hoje é sobre os debates intelectuais na China de hoje. A matéria é baseada naquele mesmo livro resumido na Prospect e comentado aqui e no Pedro Dória. Vale a pena ler.

Trechos que achei interessantes:

– Para o pessoal da esquerda que acha que a China é um puta modelo bacana e progressista, fica a mensagem de Yan Xuetong, baluarte da turma mais neoliberal chinesa:

“Os EUA têm um dos piores sistemas de saúde e previdência social entre os países ricos, mas já seria um sonho a China ter algo parecido. Somos piores que os EUA! Não dá para ser como a Europa, que gasta demais e cresce de menos.
Os EUA são bem liberais, mas o Estado ainda é mais presente lá que aqui.”

Sobre isso, vale também prestar atenção no que os caras tão discutindo: a possibildiade da educação e da saúde serem gratuitas, por exemplo. Dá-lhe socialismo.

 – Da série, “as voltas que o mundo dá”, vejam o comentário de Yang Yao, representante da “Nova Esquerda”:

“Os economistas na China são muito mais de direita que na Europa ou nos EUA”, diz. “Sou de esquerda porque fiz o doutorado em Wisconsin, que é um dos Estados mais socialistas dos EUA.”

 – O troféu “título de livro mais direto e corajoso da última década” vai para Yu Keping, que escreveu a obra

“A Democracia é uma Coisa Boa”

 – E o melhor comentário ainda é do Yan Xuetong, que diz:

“O modelo chinês só serve para a China. É um alerta, quem quiser segui-lo vai fracassar.
Tirando o Vietnã, com quem compartilhamos uma história comum, não se aplica a outros países. Nem marxismo nem capitalismo são iguais aqui e no Ocidente. A China é diferente, nem Freud se aplica aqui.
Nosso animal-símbolo é o dragão, que não é real. Somos ave, somos cavalo, somos peixe, pode ser o que você quiser, mas é só chinês.”

A especificidade chinesa vem da Revolução Cultural, que desarticulou a burocracia (e tudo o mais que havia), e do fato de que o Deng Xiaoping viu nisso uma oportunidade de fazer reformas de mercado sem enfrentar uma burocracia tão organizada quanto aquela com a qual se deparou o Gorbachev, por exemplo. Foi uma saída brilhante, sem dúvida, mas que ninguém deve imitar.

A propósito, a Folha também deixou passar o fato de que um dos autores principais citados é co-autor do Mangabeira Unger.



3 Responses to “China no Mais!”

  1. 1 Rafael Figueira

    “…em Wisconsin, que é um dos Estados mais socialistas dos EUA”

    ??? Interessante.

  2. 2 fabio

    Vale a pena dar uma olhada:

    “We are used to China’s growing influence on the world economy—but could it also reshape our ideas about politics and power? This story of China’s intellectual awakening is less well documented. We closely follow the twists and turns in America’s intellectual life, but how many of us can name a contemporary Chinese writer or thinker? Inside China—in party forums, but also in universities, in semi-independent think tanks, in journals and on the internet—debate rages about the direction of the country: “new left” economists argue with the “new right” about inequality; political theorists argue about the relative importance of elections and the rule of law; and in the foreign policy realm, China’s neocons argue with liberal internationalists about grand strategy. Chinese thinkers are trying to reconcile competing goals, exploring how they can enjoy the benefits of global markets while protecting China from the creative destruction they could unleash in its political and economic system. Some others are trying to challenge the flat world of US globalisation with a “walled world” Chinese version.”

    http://www.prospect-magazine.co.uk/article_details.php?id=10078


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