Eleições 2008: Rio

25ago08

O lançamento da candidatura Paes foi desastrosa para dois candidatos de perfil diferente:

1) Gabeira, porque Paes (a) pega parte do eleitorado que apóia o Gabeira por ele ter metido o pau no governo na CPI, mas que, no fundo, acha o Gabeira meio esquerdoso, verde e soft demais,  (b) porque, incrivelmente, o Paes agora tem o apoio do Lula (bom, mais ou menos, indiretamente, pelo Cabral) e consegue penetrar no eleitorado pobre, e (c) porque é difícil questionar a coerência do Paes sem ficar parecendo anti-Lula (e aí, adeus voto das favelas).

A distinção entre se aproximar do Lula por saber distinguir as batalhas passadas dos desafios futuros e se aproximar do Lula por ser um safado que não tinha se aproximado antes porque não era negócio (como fez o Paes) é sutil demais para a guerra eleitoral.

2) Solange Amaral: porque, por incrível que pareça, o eleitorado pró-CM se identifica muito mais com Paes, por muito tempo príncipe herdeiro do cesarismo, do que com Amaral. Daí a ênfase que CM tem dado no seu Ex-Blog a atacar o Paes (tratado como “Dudu das milícias”).

Ainda vai haver muita rearrumação de voto aí. Jandira está pegando o voto útil da esquerda carioca, mas, se não tiver chance de ir para o segundo turno, esse voto vai retornar para Molon ou Alencar, por opção ideológica, ou para o Gabeira, por semelhança de perfil sócio-econômico do eleitor. Se Crivella desinflar, o voto anti-Crivella se desorganiza, também.

Do ponto de vista de quem apóia o Gabeira, interessa o seguinte: o capital político da velha CPI se foi. É melhor ter mesmo proposta e carisma para começar uma onda, ou vamos terminar em quinto. Falta ao Gabeira uma aliança com penetração na Zona Oeste: PPS, PSDB e PV, somados, devem ter uns quatro militantes fora da Zona Sul. E Gabeira precisa ter um discurso para os pobres pró-Lula.



14 Responses to “Eleições 2008: Rio”

  1. Uma impressão desanimadora que tive aí no Rio é a de que não há campanha. Os candidatos estão fazendo atos de campanha, caminhadas, comícios, etc, mas não conseguem criar um debate ou uma discussão. Ninguém lê o blog do CM, só as pessoas que lêem notinhas em jornais, e isso tem muito pouca repercussão. Mas ele é o único cara (por mais que eu tenha horror a ele) que tentar gera discussão. Ou não?

  2. 2 Felipe Basto

    Caro Amiano. Eleição no Rio sempre foi assim. O voto util na jandira, ou em quem quer que seja, parece bom para evitar a proclamação da Republica Teocrática do Rio De Janeiro. Eu aposto no Chico. A galera gosta do Gabeira em Brasilia e muita gente tem falado que ele é leve demais pra pressão do cargo. Bom, isso foi que ouvi nas ruasa da última vez que fui lá. O Molon tá lançando o nome pra alguma outra vez.

  3. Não sei não, será que foi sempre assim mesmo? Saturnino nunca foi um ideólogo, e seu slogan “O Rio falido vale zero” não era muito bom, apesar de ter sido cumprido à risca, mas ao menos parecia se tratar de um candidato. O mesmo com César Maia parte 1! Quanto a governador, o Rio tinha Brizola, Moreira, Vladimir Palmeira, que são e foram porcarias de candidatos, mas tinham posições e levantavam a galera. A qualidade da política no Rio já era abaixo da crítica. O que me impressionou desta vez é que parece que ela acabou de vez…

  4. Muito lúcida a análise de vcs sobre o cenário político carioca, incluindo as críticas aos rumos da candidatura Gabeira, que tb apoio. Parabéns!

  5. 5 Felipe Basto

    Acompanho todas as campanhas cariocas dede a década de 1980. E a coisa só vem piorando. Marelo Alencar, Bittar, Benedita, Solange Amaral,Conde… a lista é grande e vai descendo morro abaixo. O Vladimir só empolgava a militância e o Moreira se elegeu governador devido ao Plano do Sarney. O PMDB elegeu um monte de poste em 86.

  6. 6 fabio

    Sobra ao Gabeira imprensa, falta ao Gabeira coerência.

    A conta do “capital político” das CPIs ele vai pagar até o fim da vida.

    “A distinção entre se aproximar do Lula por saber distinguir as batalhas passadas dos desafios futuros e se aproximar do Lula por ser um safado que não tinha se aproximado antes porque não era negócio (como fez o Paes) é sutil demais para a guerra eleitoral.” – essa distinção é sutil demais para mim, para os petistas em geral, para a imensa maioria dos eleitores do Gabeira, para todos os aliados do Gabeira, etc. Acho que nem o Caetano percebe essa distinção. Você tem certeza que ela existe?

    Esperar voto da esquerda no Gabeira é exagerar no “wishfull thinking”. Vamos citar Caetano: Gabeira não é o candidato da esquerda, é o candidato das pessoas honradas. Distinção, aliás, sem nenhuma sutileza: eu, os petistas, a esquerda, os “pobres pró-Lula” e toda a torcida do Flamengo entende perfeitamente o que o Caetano está dizendo.

    O Molon é uma decepção – não pelas pesquisas, mas por suas posições. No Rio, com certeza, meu voto seria da Jandira. Mas ao ver o Molon, a Jandira e o Alencar, os candidatos supostamente de esquerda aí no Rio, eu sinto uma imensa saudade do Brizola.

    É bem fácil discutir a coerência do Paes. Difícil é daí chegar a votar no Gabeira. Foi isso o que você quis dizer? Por exemplo, a Jandira não teria nenhum problema nessa linha de argumentação.

  7. É difícil imaginar uma administração em cujos cimentos encontra-se a marca do PC do B. Por incrível que pareça, não me inspira confiança em relação a uma gestão mais técnica e menos aparelhada. Por outro lado, é fácil perceber que há uma certa condescendência em relação ao Gabeira, a despeito de suas inconsistências. Soube, porém, de uma reunião com a classe teatral que foi um fiasco, pois ele foi totalmente despreparado, sem propostas decentes para a área cultural, ao contrário da Jandira, que no mínimo foi mais respeitosa com a classe, daí a quantidade de gente bandeando-se para a candidatura dela.

  8. 8 fabio

    Ricardo, o PC do B é um partido tão pequeno quanto o PV. Mas tem uma representação parlamentar muito, mas muito mesmo, mais qualificada.
    Acho que a comparação possível é essa: PC do B x PV, Jandira x Gabeira.

    Até mais

  9. Fabio, tirando o Fernando Gusmão, em quem votei em várias eleições (e que agora é deputado estadual), nada sei sobre a representação do PC do B na câmara de vereadores, menos ainda sobre ser ou não muito qualificada. Googleando por aí, vi que o atual representante é o vereador Roberto Monteiro, advogado e conselheiro da OAB-RJ. A despeito disso, o ranço do PC do B é um tanto quanto bolorento, mesmo em se tratando de um partido de esquerda, o que em princípio desperta a minha simpatia.
    Abs.

  10. Pô, os comentários aqui estão cada vez melhores, e eu sabia que podia contar com a volta do Fábio quando começasse a postar sobre o Gabeira de novo.

    O Rio é um caso estranho na política brasileira: tem um candidato à direita bem melhorzinho, o César Maia (lembrem-se: melhorzinho no contexto do PFL, que não tem ninguém mais sequer comparável). Mas ainda não tem uma esquerda moderna, porque Brizola continuou fazendo política dos anos 50 até morrer, porque o PT nacional abortou o partido no Estado em 1998, porque Chico Alencar (que deveria estar liderando a esquerda carioca) parou de estudar faz tempo demais, e parece disposto a fazer política de esquerda clandestina até morrer.

    Fábio, a distinção é a seguinte: uma coisa é o Lula parar de xingar o bom senso econômico porque isso será melhor para o país que ele governa; outra coisa é PP e PTB pararem de xingar o Lula para ganhar uma mesada . O primeiro caso é que eu acho que o Gabeira deve fazer com o Lula, estabelecer pontes, reconhecer as realizações do governo federal, porque isso é melhor para o Rio e para o país; o segundo é o que o Paes fez com o Lula.

    E, pelo amor de Deus: o Molon depois de um chute no saco, um aneurisma no cérebro e um beijo na boca do João Amazonas ainda é muito melhor que a Jandira. Bom quadro, ainda esquerdoso demais pro meu gosto em algumas coisas, mas com futuro. Tem defeitos, mas até agora todos os que eu vi se manifestam com mais intensidade na Jandira.

    Quanto ao PCdoB, é aquele negócio que nós conhecemos do movimento estudantil: uns caras inteligentes, em geral de classe mais alta do que os petistas, estudaram em colégio bom, tem uma cultura razoável, tem um bom senso de estratégia, mas ainda têm credenciais democráticas horrendas. Pode ser que um dia o PCdoB venha a ser um partido decente, mas ainda não vi crítica do socialismo real o suficiente para achar que este já seja o caso.

  11. 11 fabio

    Grande resposta, Naprática

    Se o Paes está ganhando mesada do Lula, o Gabeira deveria denunciar, não se aproximar, ou vai perder o eleitorado que cativou. Veja bem, Náprática: uma coisa é ética, outra é interesse, e não é possível transitar entre as duas livremente sem perder a coerência. Não tem nada a ver com sutilezas, com pessoas honradas ou com pobres pró-Lula.

    O PC do B é aquele negócio. O PV é aquele outro. Nenhum dos dois uma crítica razoável do socialismo, nem de coisa nenhuma. Mas no mundo real, com história, com deputados, com veradores, com movimentos sociais,etc, o PC do B é um partido com atuação progressista e o PV é um PTB pequeno. Aliás, se o Gabeira fosse de Pindamonhangaba, ele seria o Ricardo Izar.

    Abração

  12. 12 Felipe Basto

    O Pv já foi um partido interessante, mas bem lá atrás. Depois todo mundo que prestava para alguma coisa saiu fora e o Sirkis ficou queimando sozinho.até a última ponta.
    Queimando o filme do partido, claro. Aqui em Barra Mansa o partido é o que há de pior. O presidente da Câmara é pevista e uma das piores figuras politicas que eu conheço. O otro candidato com chances, o presidente do PV aqui, é cunhado do Alvaro Lins. O Gabeira quando saiu do PT, deveria ter aceitado o convite da Heloisa Helena.

  13. Diz o Gil que prefere abacate a tomate.
    Pois eu prefiro a melância. Listrada de verde radical e moderado, mas por dentro é vermelha (mesmo que agüada) e cheia de caroços anárquicos. Se não bastasse ainda faz sucesso nas revistas com toda aquela retenção.

  14. 14 fabio

    Esse aqui é coerente.
    Claro que sem a gritaria toda a inconsistência, a leviandade, o arcaismo ficam mais evidentes Mas coerente ele é:

    ‘Há fortes indícios de mensalão no Rio’, diz Chico Alencar
    Candidato do PSOL à Prefeitura diz que instituições publicas cariocas foram

    SÃO PAULO – O candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Chico Alencar (PSOL), afirmou durante a sabatina do Grupo Estado nesta quinta-feira, 28, que há uma captura das instituições públicas pela criminalidade e fortíssimos indícios de mensalão na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal do Rio. O candidato citou a suposta presença de lobistas das empresas de ônibus no Parlamento. “Não tem uma empresa desse setor que tenha participado de uma licitação”, disse. Segundo Alencar, essa captura ocorre “com a conivência, para não dizer parceria, de grupos políticos fortes”.


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