PFL

09set08

O PFL está com cara de que tomará um toco sensacional na próxima eleição. Quase todas as fibras de meu corpo vibram com isso, mas devemos admitir que há um lado preocupante na coisa. O Brasil precisa ter uma direita.

PP, etc. não contam. O PSDB não é direita de coração, mesmo. O PFL é uma bosta, mas ainda vinha tentando fazer esse papel, e correr atrás desse nicho de mercado. A crer no resultado das últimas eleições, em que só elegeu o governador de Brasília, não está dando muito certo.

Nessa eleição é quase certo que perde o Rio (o desempenho de Solange, até agora, é ridículo, não é possível que termine tão mal), é muito provável que perca Sampa (embora, estejam certos disso, vá jogar tudo o que tem e não tem nessa briga, que provavelmente decidirá sua sobrevivência), pode levar a Bahia. O glorioso Onyx, tão badalado na época da CPI, em POA está atrás do PSOL, o que é ótimo, porque ele é uma mula. Curitiba é do PSDB, BH dividido entre PT e PSDB, com os tucanos já tentando se livrar da companhia dos caras, tal como em SP e no Rio. Podem levar Salvador, e o ACM fraldinha tem, devo admitir, um certo talento.

Eu torço contra essa gente toda, mas sei que isso será bom se for o começo de uma reorganização da direita brasileira, semelhante à que aconteceu na esquerda depois de dois tocos no primeiro turno contra o FHC. Mas o que poderia acontecer nesse sentido?

O mais estranho é que não há, absolutamente, um enfraquecimento dos ideiais pró-mercado, pelo menos não no longo prazo. FHC e, especialmente, Lula (vejam como é o mundo) foram ortodoxões na economia. A direita brasileira de qualidade está quase toda nas faculdades de economia, e estes conseguiram manter imensa influência esse tempo todo. O PFL pode ir para o buraco esse ano, mas ano que vem devemos começar a discutir de novo a possibilidade de déficit nominal zero no setor público.

Quem circula na blogosfera sabe que há uma saudável tendência liberal em boa parte da opinião pública de classe média, mas que não parece, na verdade, se interessar muito pela política partidária. Ninguém pode culpá-los. O cara de direita civilizado, desde que morreu o Roberto Campos, vai votar em quem? 

Por isso, eu acho que a primeira coisa que a direita deveria fazer era lançar meia dúzia de candidatos economistaços, liberaizões, para deputado. É bem mais fácil driblar a máquina partidária para lançar candidato a proporcional do que a majoritário. Mesmo que fossem poucos, se conseguisse se dissociar dos Bolsonaros da vida, essa bancadinha teria influência desproporcional, como era com o PT quando só tinha a gente de esquerda.

Antes de tentar os majoritários, a nova direita precisaria encontrar uma resposta à seguinte pergunta: porque um favelado, um sem-terra, votariam em mim? Pelo amor de Deus, não tentem suborná-los com armas de fogo e pastores evangélicos, como faz a caricatura em que se transformou o partido Republicano. Quando a direita brasileira encontrar um corte de impostos que redistribua renda, uma desregulamentação que favoreça empregados pelo menos tanto quanto empregadores, aí a briga começa.



10 Responses to “PFL”

  1. 1 Vinhal

    NPTO, já viu a reportagem de Daniela Pinheiro na piauí do mês passado, com o ACMN?

    http://www.revistapiaui.com.br/artigo.aspx?id=721&unica=1

    Abraço.

  2. 2 Felipe Basto

    Grande NPTO. Fala aí. Cara, eu acho que pode ser uma questão de modernidade. A direita pode ser quem? O grande empresariado? Bom, a CNI é tucana desde que os Jereissati mandavam lá. As federações de comércio também, ou ficam pelos PL e outros nanicos. Profissionais liberais? PT e PSDB. O DEM não é um partido é um monte de chefinhos locais e coronéis, não são liberais, querem é mamar nas tetas do estado. Quem quer e precisa de capitalismo organizado não embarca nessa. Afinal, o que são bandeiras de direita civilizada hoje? Quem, entre os Demos, se interessa em desenvolvimento do país? Para que ter marcos regulatórios se isso ia atrapalhar os casuismos tão lucrativos? Para que formar técnicos e mão de obra qualificada se eles só iam servir para pedir aumento?

  3. Na Prática,
    Bom post, com uma questão difícil de responder. Eu sinto falta de um partido liberal de fato, mais do que um partido de direita, que defenda o liberalismo econômico e também tenha uma visão liberal do ponto de vista do comportamento, defendendo união civil homossexual, descriminalização de drogas mais leves e direito ao aborto.

    O PFL não é e não será esse partido. Eu não voto em nenhum candidato desse partido escroto. Primeiro, porque boa parte dos integrantes fez carreira na ditadura. Depois, porque muitos sempre mamaram no Estado – de liberal, esses sujeitos não têm nada. Em São Paulo, o PFL era linha auxiliar do malufismo, o que já diz tudo sobre o caráter ético do partido. Eu não voto em Kassab de modo nenhum porque ele foi secretário de Planejamento de Celso Pitta.

    Eu vejo duas alternativas para quem é liberal e não é bandido no Brasil: tentar levar o PSDB a se assumir como mais liberal na economia, fazendo com que uma ala mais ligada à Casa das Garças prevaleça, em vez do desenvolvimentismo do Serra; fundar um partido e fazer uma coisa meio quixotesca mesmo, lançando alguns economistas que se disponham a entrar na política. As duas, porém, me parecem fadadas ao fracasso

    Um abraço,
    Marcos

  4. 4 Igor T.

    Marcos, seu último parágrafo é mais ou menos o que penso. A diferença é que talvez prefira uma união do PSDB com o PT a ver uma plumagem liberal nos tucanos. Não vejo a menor vocação. Digo isso, pois o PT melhoraria um bocado o seu nível. Todo mundo ganha quando um grande partido, de esquerda ou direita, melhora. O PT ainda é meio grotesco para mim. Na cena política brasileira, prefiro um PT melhor do que um PSDB forçado. Minha idéia é que uma fusão seria o melhor – grande parte dos petistas mais bizarros já saíram, facilitando o serviço, mas ainda temos sobras dirceuzíticas, genoínicas, tarso-genrísticas, olivío-dutristas… Enfim, idéia também fadada ao fracasso.

    Sobre os liberais, só vejo entrada relativamente limpinha na política com a fundação de um partido. Bem, começando com fundações, institutos, organizações, centros, blogs, reuniões, encontros,… depois o caminho chega a ser mais ou menos natural. Acho.

  5. 5 fabio

    Na minha opinião, o PSDB é direita de coração, sim. Seus quadros, inclusive os melhores, assumem claramente o discurso de direita, e mais ainda o seu eleitorado.
    A disputa interna no PSDB é entre o setor financeiro e o setor industrial, e quando a disputa não despenca para o paroquial, esses grupos convivem muito bem.
    O problema do PSDB é que ele se parece cada vez mais com o PFL: a importância de uma direita progressista é clara na teoria, mas na prática, na disputa pelo poder, é difícil se livrar do peso conservador e patriomonialista da direita brasileira.

    Um abração

  6. 1) Um dos melhores textos já postados aqui. Simples, claro, e com uma discussão que, na verdade, é difícil.

    Uma das perguntas que faço é: por que um liberal (mas liberal mesmo, com boa capacidade de planejamento, administração, conhecimento de mercado, ou de administração pública) iria tentar algo no jogo político-eleitoral brasileiro se ele pode agir: fundando uma empresa; uma ONG; sendo concursado; dando consultorias à empresas e movimentos sociais após uma boa capacitação acadêmica? E assim por diante. Desculpe: a via de mudanças sociais minimamente decentes por meio de projetos técnicos, implementação de políticas públicas por equipes capacitadas, ou projetos levados a cabo por ONGs e por universidades e empresas, por mais tímidos que sejam, em geral são melhores do que as melhores (?) leis aprovadas por vereadores ou deputados estaduais. Aliás, em âmbito municipal a maioria dos vereadores e boa parte dos deputados estaduais muito mais atrapalha do que ajuda.

    2) Podemos falar em um partido genuinamente liberal no dia em que o liberalismo econômico estiver em compasso com o liberalismo político. Quando isso acontecerá: (a) quando a maior parte da elite econômica brasileira se civilizar ou for civilizada. Mas isto eu vou esperar sentado. b) Lutando para que pequenas reformas, com o tempo, dêem-mais liberdade de ação aos sujeitos privados, o que pode favorecer o surgimento de novos representantes políticos.

    3) Como quase tudo na História do Brasil, essa discussão não parece seguir nenhum modelo clássico – liberais x estatistas, esquerda x direita, etc. A briga, no momento, opõe uma “coisa” que por meio da colonização de cargos públicos parasita o trabalho da população, contra uma tendência de reforma interna das instituições públicas (por meio de seu corpo técnico e uma minoria de políticos um pouco mais esclarecidos) e de sujeitos privados que tentam agir decentemente mas FORA do poder público colonizado.

    Estou ciente do risco de fazer a apologia de uma visão tecnocrática contra uma visão política. Mas não me parece que a classe política brasileira – salvo honrosas exceções – esteja, de fato, preocupada com as necessidades básicas da população.

    Também estou ciente do risco que representa a falta de uma oposição esquerda x direita. No entanto, e você mesmo disse isso, a esquerda já incorporou a plataforma econômica ortodoxa e combina isso com politicas vagamente social-democratas (umas melhores e outras nem tanto) e muito, mas muito populismo. O que sobrou à direita, na política? Para mim, o bom e velho patrimonialismo combinado com uma boçalidade cada vez maior.

  7. 7 Mariana Mai

    No curto prazo não parece mesmo ter solução, me lembro de uma páginas amarelas do Bornhausen em que ele afirmava que no Brasil uma direita “de verdade” não era viável, não com a situação sócio-econômica do país…

  8. Na definição de Norberto Bobbio, é de direita aquele que privilegia a liberdade, enquanto é de esquerda o que luta por (ou acredita na) igualdade.
    Nesta definição, está cheio de gente de direita no PT e em outros partidos ditos de esquerda.
    Alguém pode argumentar que a definição não é boa, mas o fato é que não há, nem à direita, nem à esquerda, qualquer unidade ideológica ou fidelidade programática. Vejam os candidatos a vereador. Ou os projetos e os votos da oposição nos governos FHC e Lula. Pela questão dos impostos ou da intervenção estatal na economia também é complicado distinguir direita de esquerda (no Brasil, nos EUA…).


  1. 1 Dica « Na Prática a Teoria é Outra
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