Diário de Campanha NPTO: Madureira

18out08

Mico Total NPTO:perdi a panfletagem, apesar de ter ido a Madureira.

Saí de casa às 7 e encontrei o sempre alerta Fábio Góes, que dá aula no Méier e em Madureira no sábado. Pegamos o ônibus, descemos no Méier. O Fábio me chamou atenção para um comitê do Paes que até semana passada era do Crivella. Tomamos um mate, ele foi dar aula, eu fui pegar o trem.

Eu calculei certo o tempo que levaria de trem até Madureira, mas subestimei dramaticamente o tempo que demoraria para a porra do trem chegar. Resultado, saí atrasado, tive que fazer uma mudança no Engenho de Dentro (onde vi, pela primeira vez, de relance, o Engenhão: parece bonito), e só cheguei em Madureira às 9 e meia.

Logo na saída do trem, um cabeleireiro com o cartaz “Formado em Paris”. Logo pensei: aposto que foi em sociologia.

Cheguei no Mercadão de Madureira e aí é que fiz a confusão. Vi uma galera com camiseta do PV, perguntei, “Cês são a turma do Gabeira?”, eles disseram que eram, fiquei ali de bobeira esperando alguém resolver organizar a panfletagem. Enquanto isso, eles filmavam uns depoimentos de passantes que votavam no Gabeira.

A uma certa altura, já meio de saco cheio, perguntei pra um cara, “e a panfletagem”? E o cara me disse que eles não estavam ali pra fazer panfletagem nenhuma, eram só a turma do programa de TV, que nem sabia que uma outra turma estava indo panfletar. Tentei achar os caras dentro do Mercadão, mas a essa altura não estavam mais lá, suponho que tenham saído pelo bairro como combinado.

Para não perder a viagem, fiquei conversando com uns caras ali em frente ao Império Serrano. Ali a receptividade ao Gabeira era muito grande, mas logo notei uma primeira coisa: o nível de politização do pessoal ali na Escola é muito maior do que o da média da população da Zona Sul (um dos caras sabia por quantos votos o Paes perdeu em Copa). Embora a turma ali fosse fortemente Gabeira, não era uma amostra representativa da população em geral.

O que percebi também, por aquela área, foi uma forte resistência ao governo Cabral, em parte pela política de segurança. Um cidadão me disse que no Complexo do Alemão todo mundo era Crivella, agora todo mundo é Gabeira (sei lá o quão confiável é essa informação), por causa do medo da polícia.

Saí pelo bairro vendo se ainda achava o pessoal da panfletagem, e aí notei uma segunda coisa: a turma da Escola era predominantemente do morro. A turma andando pelo asfalto era muito, muito mais refratária ao Gabeira. Quando eu perguntava se alguém tinha visto o pessoal da campanha, muita gente fazia cara de “Como assim, campanha do Gabeira?” E ali pelas ruas o volume de campanha do Paes é uma coisa que eu nunca vi: de três em três metros tem alguém com uma bandeira, distribui-se material fartamente para quem quiser, há faixas e mais faixas do Paes. Um daqueles caras que ficam em frente a lojas populares anunciando liquidação em microfones pedia para a turma do Paes desocupar a calçada dele, “afinal, o cara já ganhou, mesmo”.

Foi, sem dúvida, o lugar em que vi mais resistência ao Gabeira, embora suspeite que nos morros da região a situação seja bem melhor para ele. Enfim, espero que a campanha concentre sua atenção na área, e fiquei chateado de não poder panfletar lá.

Para consertar isso, comi um pastel e me dirigi à Central do Brasil, onde a segunda parte do dia estava programada.



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