Eleição em 1,5 turnos

21out08

Uma hipótese que me ocorreu:

Uma inovação institucional brasileira que reforçou as alianças partidárias já consolidadas é o segundo turno vinte dias depois do primeiro. Para quem não lembra, o segundo turno costumava ser dia 15 de Novembro.

Com o novo sistema, a campanha no segundo turno é muito curta. Daí que o potencial de ganhar votos por debate substantivo ou militância me parece menor. Por exemplo, se Marta lançar uma nova excelente proposta de transportes agora, Kassab responde três dias depois, a mídia demora mais uns dias para produzir colunas sobre o assunto, e quando o eleitorado começar a formar sua opinião, acabou o segundo turno.

Por outro lado, o efeito de alianças consolidadas se torna difícil de reverter. Quando PSDB e PFL fecharam para o segundo turno, como se esperava que fizesse, muitos votos se movimentam. A princípio, seria possível ao candidato com menos alianças esvaziar a aliança adversária, mostrando que, por exemplo, os eleitores de Covas não deveriam querer se misturar com os eleitores de Pitta (sei lá se deveriam, é um exemplo). Mas esse é um debate substantivo, e a chance do argumento exercer seus efeitos em quinze dias, contra o ruído da propaganda dos dois lados, é pequeno.

O segundo turno ainda é importante quando a soma das alianças dá resultado parecido, como é o caso no Rio. Se a eleição for decidida por dois ou três pontos percentuais, aí, sim, militância ou argumentos podem ter influência significativa.

Há, é verdade, uma contra-tendência que em parte compensa isso: a distribuição igual do tempo de TV. Se o segundo turno fosse maior, isso poderia fazer uma diferença enorme. Mas com pouco tempo, acho que só importa em eleições que começam o segundo turno equilibradas.

Resumindo a hipótese: o segundo turno não está sendo lá um tuuuuuurno assim, não. A não ser onde o quadro é muito equilibrado, é só uma oportunidade de somar alianças mais ou menos esperadas. O que acaba por aumentar os incentivos para que os partidos costurem alianças mais fechadas.

O que parece bonito até você pensar que o principal ganhador disso é o PMDB, que pode levar Rio, BH, POA, Salvador e, lembrem-se,  São Paulo, onde Quércia (que também foi cortejado pelo PT) é que deu o tempo de TV de Kassab.

Ou seja: candidatos que começarem o segundo turno em desvantagem têm que “hit the ground running”. O que Alckmin não fez em 2006, nem Marta fez agora.



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