Brasil no Longo Prazo

31out08

Perdi esse post do Felix Salmon sobre o “decoupling” entre os BRICs. Diz o cara:

“During the irrational exuberance of the BRIC boom, investors seemingly paid little attention to these differences. But looking forwards, I simply can’t imagine that the four countries are going to continue to move in lockstep any more. My gut feeling is that Brazil remains a great long-term investment, while Russia, over the long term, is going to continue to be an unpleasant place for foreign investors. But I might well be wrong about that. What I’m much more sure about is that the correlation between the two is going to come down.” (grifo nosso)

Falando sério: a economia brasileira pode piorar por causa da crise, há muitas reformas que precisam ser feitas, mas, olhando para a cara dos prováveis candidatos a presidente, tem algum que te dá medo de subverter a ordem econômica? Nã. Agora compare esses cenários com a perspectiva de ser governado pelo Putin, ou pelo Partido Comunista Chinês (em quem eu confio bem mais que no Putin).

Nós ainda não valorizamos o suficiente o sucesso da democracia brasileira nos últimos vinte anos. Mas é possível que numa hora dessas o mercado comece a precificá-lo.



One Response to “Brasil no Longo Prazo”

  1. 1 Clever Mendes de Oliveira

    Na Prática a Teoria é Outra,
    Na prática a teoria sobre ser bem visto pelos olhares externo é outra. É preferível que o exterior tenha menos interesse pelo Brasil. Com exportações elevadas, nós podemos crescer continuadamente por mais de 20 anos sem que dependamos tanto do capital externo. Pena que o blog do José Dirceu não tenha os posts dele com os comentários no período do segundo semestre de 2006 quando eu ficava censurado o José Dirceu por ele tecer loas à queda do risco Brasil.
    Para mim, o grande mérito do George Walker Bush, o Bush filho, foi estigmatizar o capital externo. Com ele, as nações foram forçadas a escolher uma via mais independente de desenvolvimento econômico, pois a dependência ao capital externo, que tinha os Estados Unidos como epicentro, ficou mal vista pela população.
    O valor da democracia eu creio que não possa ser avaliado pelo resultado econômico. A situação do Brasil não é assim tão melhor do que a da Rússia sob o aspecto econômico. Provavelmente, o rublo está mais desvalorizado do que o real e assim em dois ou três anos a situação russa estará melhor do que a nossa. E a situação nossa só não será melhor exatamente porque em razão da democracia, o governo resolveu adotar as políticas econômicas mais adequadas a ganhar a eleição em 2010: aumentar o consumo interno, substituindo um desenvolvimento econômico puxado pelo mercado externo por um desenvolvimento econômico que privilegia o mercado interno. A opção melhor no longo prazo seria deixar o dólar em 2,3 do final de 2008 e esperar que as exportações fossem paulatinamente levando o país ao crescimento econômico. Se o Brasil estivesse adotado essa alternativa talvez a taxa de crescimento anualizada desse terceiro trimestre que deverá ser divulgado este fim de semana ou o início da semana que vem ficasse inferior a 3% ao ano, enquanto os dados que devem ser informados pelo IBGE configurariam um crescimento de quase 8% (O que indica que o Banco Central deve aumentar o juro muito mais cedo do que se prognostica). A ver se o IBGE não vai fornecer uma taxa inferior à taxa real para não meter medo no Banco Central. Prova disso são as correções sempre a maior que se fazem da taxa de crescimento do PIB de anos passados.
    Crescimento pelo mercado interno foi o modelo que FHC tentou adotar no período que ele foi governo, principalmente no primeiro governo dele, mas a dificuldade em atrair o capital externo manteve o juro alto que inibia o crescimento econômico. No curto prazo é a melhor política até que crises de estrangulamento externo fazem o país recuar. Delfim Netto tentou adotar essa política quando voltou a atuar como condutor da economia no período militar no governo do João Batista Figueiredo. Ele deu com os burros n’água e foi obrigado a recorrer ao FMI. No primeiro governo FHC, houve três crises no Balanço de Pagamentos, a do México com repercussão no Chile em 1995, a dos Tigres Asiáticos em 1997, a da Rússia em 1998. Todas pegaram o país de calças na mão. Nos três casos o Brasil começava a se aprumar em um desenvolvimento que privilegiava o mercado interno, pois o saldo na Balança Comercial era negativo.
    O governo de Lula tem mais cancha para manter um crescimento puxado pelo mercado interno por mais tempo, pois as reservas nossas são elevadas. No longo prazo, entretanto, esse modelo nos levará a nova crise no Balanço de Pagamentos. A Rússia provavelmente não terá essa crise.
    O valor da democracia, no entanto, torna para mim a realidade brasileira melhor do que a realidade russa.
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 07/11/2009


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