Vou apreoveitar a semana de ressaca das eleições, em que a audiência tradiconalmente cai, para dar uma recauchutada no blog, trocar os banners, tirar uns links de blogs que não atualizam mais, colocar uns novos. Se chegarem aqui e a coisa estiver meio feia, estou tentando consertar.

A propósito: estou pensando em fazer um domínio próprio (.com, .org, essas coisas), o que vocês acham? Tem como fazer bem baratinho.

Vou deixar esse post “stuck to the front page” essa semana, mas como nunca fiz isso antes, é provável que alguma coisa dê errado. A idéia é que ele fique sempre aqui em cima, mas os posts novos continuam rolando aqui embaixo.

UPDATE: sei que o negócio está devagar, mas é que resolvi fazer o negócio do domínio próprio e estou apanhando da informática aqui. Garanto que no fim-de-semana voltaremos ao ritmo normal.

Anúncios

Artigo mostra que, baseado na experiência de eleições recentes, McCain tem pouca chance de virar: teria que conquistar todos os indecisos e mais uma turma razoável que está votando no Obama.


Momento relax

28out08

Ezra Klein linka dois artigos de suma importância na conjuntura atual: uma lista de decisões ruins tomadas por Luke Skywalker em “Guerra nas Estrelas”, e um argumento pela implausibilidade do sistema de compactar lixo na estrela da morte.


Sem ordem aparente:

1) Cada um no seu quadrado: Serra ganhou em São Paulo, Cabral no Rio, Aécio em BH. No que se refere à emocionante briga por centro acadêmico da USP entre PT e PSDB, BH empatou, Sampa deu PFL com apoio dos tucanos, no Rio vocês já sabem.

2) O resultado que realmente tem que envergonhar a esquerda é Porto Alegre. Gosto da Maria do Rosário, e lá era uma espécie de São Paulo ao contrário: tinha um cara que ganharia o primeiro turno (como a Marta deveria ter ganho), mas os três seguintes tinham alto poder de convergência (Rosário, Manuela e Genro, como em SP Alckmin, Kassab e Maluf), e somavam quase a maioria absoluta. Perder por mais de dez pontos nesse cenário é uma façanha que a oposição em São Paulo, por mais que tenha tentado, não conseguiu. Me irrita também que Manuela tenha demorado para apoiar Rosário porque estava chateada, enquanto Jandira no Rio abraçou Paes com o abandono desesperado do primeiro amor – nesse ponto, respeito mais Jandira.

3) O grande fato, mesmo é a vitória do PMDB: POA, Foripa, São Paulo como vice, Rio de Janeiro, quase BH, Salvador, Goiânia, os companheiros de partido do Garotinho deram uma lavada. Ainda tenho esperança de que o PMDB traia o PT na maior cara de pau, mas acho que a tendência é chegar PT-PMDB contra PSDB-PFL em 2010. Agora, é aquele negócio: se a tendência é essa, o mais provável é que aconteça alguma coisa no meio do caminho.

4 – O PT de São Paulo vai ter que repensar sua atuação profundamente depois que Maluf deu lugar a Kassab no canto direito do espectro. A tática sempre foi bater o PSDB no primeiro turno e contar com a vergonha dos tucanos votarem em Maluf para ganhar no segundo. Os tucanos não têm vergonha de votar em Kassab. Será preciso atrair os eleitores de classe média do PSDB, e isso quer dizer mudar estratégia e programa.

5 – Em uma certa altura do processo, resquícios do PT do Rio foram avistados por alguns observadores, mas parece que era só um alarme falso.

6 – Agora que o mandato é dele, Kassab vai continuar sendo Serra II? Quércia e uma manada de pefelistas desempregados pelo Brasil afora não vão querer cargos?

7 – Gabeira para o Senado ou para o Governo do Estado?

8 – Eduardo Paes, devo dizer, é uma figura que deve crescer na política nacional.

9 – Digam o que quiserem, eu gostei do resultado de BH.

10 – Crivella tem o direito de pedir o que quiser de Paes. Foi o melhor transferidor de votos no Rio, e odiou ter que apoiar Paes. Vai pedir, tenham certeza.

11 – PT e PSDB cederam jóias importantíssimas para PMDB e PFL: São Paulo, Rio, POA, Salvador (nos dois últimos, pelo quase não envolvimento do Lula no segundo turno entre aliados). Dá pra confiar nesses caras para retribuir? Pelo sim, pelo não, da Bahia para baixo acho que PT e PSDB só encabeçam em Curitiba e Vitória, entre as capitais.

PS: Não deixem de ler as análises do Amiano, do Idelber, e o comentário do Arranhaponte sobre a eleição no Rio.


O lado bom

27out08

Não contem comigo para dizer que, no fundo, nós vencemos. Como disse Churchill, quando disseram a ele que uma derrota fragorosa, no fundo, era uma bênção disfarçada, “Porra, esta está bem disfarçada, mesmo” (tradução livre).

Agora, que a campanha teve um lado bom, teve. Para saber mais, cheque aqui, aqui, aqui  (dica do Felipe Bastos) e principalmente, aqui. Do nosso ponto de vista, valeu por reunir aqui uma galera que ainda vai dar muito o que falar.

Amanhã saem os banners, que vão ser substituídos por alguma outra causa maluca a qual eu resolva aderir (aceito sugestões).


Não deu

27out08

Fernando Gabeira perdeu a eleição para prefeito do Rio de Janeiro por uma diferença de apenas 50.000 votos. Vai ter gente falando de vitória política, vai ter gente falando de campeão moral, isso me interessa menos do que a participação do Suriname nas eliminatórias da copa do mundo. 

Vou dizer o que eu acho que faltou: faltou petista, e faltou a turma que apoiava o Gabeira ser mais petista.

Eu participei da campanha como volutário. Só tenho elogios ao Fabiano, que organizava os voluntários, e à maioria das pessoas que encontrei nas reuniões e atividades de campanha. Em especial, gostaria de saudar os colegas que fizeram o trabalho na zona da Leopoldina, na Zona Norte e na Zona Oeste, pelo heroísmo de ir pro pau em circunstâncias muito adversas.

Mas eu acho que faltou um grau de militância. A campanha foi dividida em áreas. Cada um fez campanha na sua vizinhança, o que é legal, é mais fácil, mas teve como consequência que na Central do Brasil, por exemplo, só estivessem disponíveis os heróicos voluntários que moram por ali. Ora, tendo feito já campanha pelo PT, me parece claro que era necessário estabelecer um rodízio entre pessoas de áreas diferentes para fazer a Central. O pessoal da Zona Norte tinha um desafio dificílimo, enfrentando uma máquina de campanha assustadoramente cara (nunca vi nada igual em campanha para prefeito) que fazia campanha (paga) para o Paes. Esse pessoal deveria ter recebido ajuda muito maior dos voluntários da Zona Sul, por exemplo, que eram mais numerosos. Era necessário um comando centralizado para organizar isso.

Em outros termos: acho espetacular que o Gabeira tenha conseguido mobilizar muita gente que normalmente não faz campanha. Mas, a partir do momento que todo mundo resolveu fazer, tem que fazer campanha como campanha. O PT já fez várias vezes campanha contra máquinas poderosas. Mas o trunfo era o fato de que a militância era espetacularmente comprometida a ir onde precisasse. 

Não culpo a turma dos voluntários por isso. Não se pode esperar que o cara vire um militante comprometido da noite para o dia. O que realmente me irrita é meu partido, que, se tivesse oferecido 50, 70 militantes, teria ganho essa eleição para o Gabeira, ter apoiado o Paes. Um apoio do PT ao Gabeira teria fortalecido o PT na cidade extraordinariamente, teria fortalecido a imagem do partido na disputa em São Paulo, e teria sido melhor para a cidade.

Sem apoio do PT, Gabeira ficou com apoio de PV, PSDB e afins, que, como já dizia o saudoso Mário Covas, ainda precisam aprender a botar o pé no barro.

Claro, o Gabeira poderia ter feito mais para atrair o PT (a base, naturalmente; quem quer aquela merda de direção municipal?): poderia, por exemplo, ter declarado neutralidade nas próximas eleições presidenciais. Mas agora não adianta pensar nisso.

Gabeira diz que vai mobilizar seu apoio para tentar realizar algumas das coisas que prometeu mesmo fora do governo. E realmente seria uma pena se a extraordinária rede de blogs e companhia que apoiaram o Gabeira se dissolvesse totalmente. Lembrem-se: houve um dia em que o site de campanha teve mais acessos do que o site da Globo.

Pessoalmente, minha maior satisfação seria saber que algumas pessoas que chegaram aqui pelo apoio à Marta foi dar uma olhada nos sites da turma do Gabeira, que a turma que chegou pelo apoio ao Lacerda tenha ido checar os sites do pessoal da Marta, que o pessoal do Gabeira tenha ido ver o que tinham a dizer os blogueiros mineiros, etc. O que me interessa é construir um novo consenso progressista, e espero que os esboços desse movimento que surgiram nessa campanha não sejam desperdiçados.

Enfim, lutamos o bom combate, a próxima campanha começa amanhã.

PS:não, a vitória do Paes não é a vitória do mal absoluto. Vamos esperar para ver como ele se sai para prefeito; vale dizer, essa foi a melhor eleição no Rio em muito, muito tempo.

PSTU: a vitória do mal absoluto foi o resultado em Campos dos Goytacazes.

PSOL: Parabéns ao Pedro Dória por ter lançado a campanha, há um tempão.


O partido do NPTO acaba de tomar um toco glorioso na eleição carioca, com a derrota por 50 mil votos de Fernando Gabeira na eleição para prefeito do Rio. Somado à derrota fragorosa da Marta em São Paulo, são duas derrotas contra apenas uma vitória, a de Márcio Lacerda em BH, que nos deixa bastante feliz. Até aí, tudo bem, NPTO 1 X Resto do Mundo 2, resultado honroso.

Mas isso não é nada: onde tomamos um toco miserável mesmo foi na vitória espetacular do PMDB, que levou o Rio, o vice de São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, e daí pra frente. A vitória do PMDB praticamente obriga o PT a se aliar a esta gloriosa e mui consistente agremiação partidária para a eleição de 2008, o que, como vocês devem imaginar, não é exatamente nosso cenário dos sonhos.

Daqui a pouco começaremos a analisar os resultados. Haja ressaca.


 

Depois de seis meses apoiando o Gabeira, é hora de pensar se valer a pena. E, cinco minutos depois, concluir que sim. Apesar dos erros de campanha, de uma ou outra aliança que não agrada ninguém, e de muita pancadaria, o saldo é amplamente positivo; estou mais convencido do que antes que Gabeira é o melhor candidato a prefeito do Rio.

Senão vejamos:

1 – Não contem comigo para afirmar que o saldo da era César Maia (em quem nunca votei na vida) é negativo. César Maia é um sujeito estranho, desde 92 está com a direita, mas é difícil negar que CM fez tudo de bom que eu poderia esperar de um prefeito de um partido de direita sério, mesmo sem jamais ter pertencido a um. Que eu saiba, sua gestão das finanças municipais é consistente. O favela-bairro é praticamente uma unanimidade, e, onde não progrediu, é porque precisaria enfrentar especulação imobiliária, entrar na briga para conferir propriedade dos lotes para os favelados, e, para esse tipo de briga, seria preciso um governante que tivesse tido outros apoios. O mesmo se aplica a ter perdido o bonde do bilhete único: para esse tipo de coisa, você deve votar em outra pessoa. Finalmente, falhou na política de saúde, por ter distribuido os cargos da área como espólio político. É, portanto, a hora de elegermos um candidato que não abandone o legado da era CM, mas dê uma inflexão moderadamente à esquerda, e atue na expansão do favela-bairro, enfrente o monopólio das empresas de ônibus, e, por outro lado, dê um choque de gestão na área social- saúde e educação – que a esquerda tradicional ainda não é capaz de fazer, porque ainda tem problema de cobrar resultados dos professores e médicos (apesar do governo federal ter progredido nesse sentido).

2 – Há duas bandeiras urbanísticas de esquerda de que o Rio precisa urgentmente: o bilhete único e a legalização da propriedade fundiária dos pobres. A campanha de Gabeira encampou a proposta do bilhete único, e, em resposta a um e-mail de encheção de saco que mandamos para ele, demonstrou entusiasmo pela legalização dos lotes. A legalização dos lotes, aliás, é um caso interessante: seria uma defesa do capitalismo em princípio que os capitalistas realmente existentes não tem interesse em implementar. Um político de esquerda com mentalidade aberta para o mercado pode ser exatamente o cara para fazer isso (o governo federal, vale dizer, também vinha tentando fazer pelo MInistério das Cidades, não sei como anda).

3 – Gabeira tem apoio de economistas respeitáveis, como Armínio Fraga e sua turma. A turma petista (como eu) que quiser ficar indignada com isso, que fique; respeito o Fraga, não só pela implantação do sistema de metas de inflação, mas por ter sido o cara que deu de presente o Agenda Perdida para o Palocci, na época da transição entre os governos FHC e Lula. Até hoje sentimos os efeitos positivos desse gesto, que, naturalmente, não teria adiantado nada se o Palocci não tivesse sido inteligente o suficiente para levar adiante as propostas do documento. Com toda a probabilidade, podemos contar que as finanças do Rio serão levadas a sério.

4 – O episódio da briga com Lucinha deixou o Gabeira em dívida com a Zona Oeste e o Subúrbio, que estão sendo extraordinariamente generosos com Gabeira nas pesquisas de intenção de votos. Se um candidato tem caráter, que ele comece com uma dívida com o subúrbio é uma boa coisa. Se Gabeira não for um absoluto otário, vai começar a governar para o subúrbio no primeiro dia.

5 – Gabeira tem um lado Zona Sul do Rio, mas é o lado Zona Sul que me interessa. Não o playboy grotesco que joga ovo em trabalhador no ponto de ônibus, não a turma que vai lutar jiu-jitsu em boate, não os mauricinhos que querem se dar bem e o mundo que se foda, não as marias gasolinas do mundo; mas o moleque universitário que se preocupa com o meio-ambiente (até porque, rapaz, se você passa pela orla todo dia e não dá valor à natureza, você é um filhadaputa), a galera excepcionalmente tolerante com as minorias, a molecada que quer trabalhar com informática ou mídia, o pessoal que trabalha com cultura, os engenheiros formados pelo IME. Se eu fosse um prefeito de esquerda no Rio, a satisfação que eu daria à turma da Zona Sul seria por aí, em especial na despoluição da Baía e das praias, na luta contra os esgotos clandestinos, no incentivo à área cultural e tecnológica. Se você mora no Rio, a defesa da natureza é uma obrigação teológica. Gabeira tem um lado Zona Sul, mas a Zona Sul tem um lado Gabeira que seria bom para a cidade toda.

5 – É claro que a mídia serrista vai interpretar uma vitória de Gabeira como vitória do Serra. Mas os cariocas sabem que isso é besteira. Serra no Rio tem menos peso do que Wagner Montes ou Alan Kardec, do Vasco. Gabeira se dá pelo menos tão bem com Aécio quanto com Serra. E o relacionamento com o governo federal está em aberto. Vamos ver o que o Lula tem a oferecer ao prefeito do Rio, que, ao contrário do César Maia, não começa já fazendo oposição radical.

6 – Eu não sei se Gabeira vai conseguir governar sem distribuir cargos politicamente. A câmara de vereadores é uma desgraça. Agora: tenho confiança de que ele vai ter viés tendendo a “não”. Mesmo quando tiver que contrariar seus instintos anti-fisiológicos, terá contrariado os instintos certos. Não acho que vá fazer mais fisiologismo do que o necessário para governar; e é só isso que podemos exigir, no quadro atual.

7 – A crise vai ser feia, e exigirá pragmatismo e inteligência para lidar com ela. Confio mais Gabeira do que em Paes para me proporcionar isso.


                 

O pessoal lá do Blogueiros com Marta está pedindo textos de justificativa de voto. O sempre alerta Bruno já fez um bacana comparando as políticas de saúde da Marta e do Kassab. Eu vou falar do bilhete único.

O Bilhete Único foi a maior revolução urbanística da história do Brasil recente. Com ele, São Paulo cumpriu seu papel de, enquanto locomotiva econômica do país, modernizar nossa pauta de políticas públicas. Hoje, os dois candidatos a prefeito do Rio, por exemplo, defendem a adoção do BU.

Senão, vejamos. Em todo o mundo, o acesso ao transporte público é um dos principais determinantes das chances econômicas da população mais pobre (vejam esse texto do IPEA). Isto se dá por uma série de fatores:

1) O custo do transporte, por exemplo, é grande parte do custo de se procurar emprego (e milhares e milhares de brasileiros desistem de fazê-lo por não ter dinheiro para tanto, saindo, inclusive, das estatísticas de desemprego).

2) O fato de que a população mais pobre dificilmente morará perto do emprego impõe o mais regressivo dos impostos: gasta mais para chegar ao trabalho quem ganha menos quando chega. Isso não é só em valor relativo, em proporção ao que se ganha; muitas vezes, é em valor absoluto.

3) Em cidades em que a segregação habitacional por renda é alta, o transporte público mais caro é ainda mais perverso, porque torna os problemas causados pela segregação insuperável. Em pesquisas sobre os guetos americanos, verificou-se que o simples fato de um número muito grande de pobres estar isolado do resto da cidade, por si só, diminui as possibilidades de renda dessa população; isto porque grande parte dos empregos se consegue por indicação de alguém já empregado (e aí percebe-se o problema de se segregar altas porcentagens de desempregados na mesma vizinhança). A distância do emprego, como já vimos, é um fator que dificulta a busca do emprego pelos desempregados da periferia. E a isso tudo soma-se um terceiro fator, o preconceito de muitos empregadores contra os moradores da periferia, que nasce da precariedade do transporte público: é efetivamente pior contratar quem está mais sujeito a trens que atrasam, ônibus que quebram, ou, simplesmente, a falta de dinheiro para pagar duas ou três passagens para ir ao trabalho.

4) A dificuldade de acesso ao transporte é um importante fator de favelização, uma vez que muitos trabalhadores preferem morar em barracos perto do trabalho do que em casas propriamente construídas na periferia mais distante. Muitos dos guetos americanos, por exemplo, são frutos da construção de conjuntos habitacionais para abrigar (e condenar ao desemprego) a população que morava em cortiços e similares no centro das grandes cidades (onde tinham empregos; empregos ruins, mas empregos).

Vejamos agora o que dizem as pesquisas sobre os efeitos do bilhete único. Waisman et.al. (citado aqui, p.11-12) nos informa que 44% dos usuários do BU entrevistados por sua pesquisa economizaram até 20 reais por mês em suas despesas com transportes, e 17% economizaram entre 20 e 50 reais (lembrem-se, é provável que os mais pobres tenham economizado mais, proporcionalmente).

O estudo é de 2005. Se tomarmos o salário mínimo de 2005 (300 reais), isso quer dizer que Marta Suplicy deu um aumento salarial de até 7% para quase metade dos usuários do BU, e de até 17% para outros 17% dos usuários. 36% dos entrevistados usaram esse aumento para comprar comida.

Mas, na verdade, o benefício é muito maior.

Em primeiro lugar, pois para estas pessoas ficou mais fácil conseguir emprego. Supondo que alguma delas tenha conseguido (o que é plausível), o BU representou sua entrada no mercado de trabalho, uma pessoa a menos exposta ao risco de se tornar criminosa, uma pessoa a menos servindo de role model às crianças de sua vizinhança, que assim também passam a ter menos chances de se tornarem criminosas.

Em segundo lugar, pelos efeitos sobre a competitividade das empresas paulistanas. Em reportagem da Folha de São Paulo, (ver aqui, p. 10), empregadores revelam economias de até 30% no valor pago como Vale-Transporte desde a implementação do BU. É uma situação análoga à que se encontra nos EUA, em que o seguro-saúde é fornecido pelos empregadores, o que aumenta seus custos e torna as empresas norte-americanas menos competitivas.

Ou seja: de uma tacada só, Marta desconcentrou renda e aumentou a competitividade do empresariado paulistano. Se isso não for boa política pública, eu não sei o que é.

Bom, eu poderia agora comparar a política de transportes da Marta com a do Kassab. Mas pra que fazer isso? Eu moro aqui, mas nem sou paulistano (sou carioca, flamenguista e eleitor do Gabeira), nem sou especialista em transportes. Além disso, sempre votei no PT, posso estar sendo parcial. É melhor deixar para quem conhece comentar.

Com a palavra, Geraldo Alckmin:

“O drama de quem tem carro é grande, mas o sofrimento de quem anda de ônibus é muito maior. Justiça seja feita à ex-prefeita Marta que até obteve alguns avanços com corredores exclusivos e Bilhete Único. Eu, governador, junto com o prefeito Serra, ampliamos para o Metrô e o trem. O prefeito Kassab não investiu na ampliação do sistema. O transporte não foi prioridade em seu governo. “

Agora vai, Kassab: arranca um cartaz aí pra ver se a gente muda de assunto.


               

O André nos enviou essa foto que saiu no Globo Esporte. Mas faz tempo que defendemos a chapa Oba-Oba.