Uia!

10Mai08

Ói nóis lá no Noblat! Falar besteira é com a gente mesmo.

Voltaremos amanhã com nossa programação normal, seja lá o que for isso.

PS: eu posso estar alucinando, mas acho que, nesse exato momento, Lázaro Ramos está fazendo campanha pelo Obama na novela das oito. Preciso parar de tomar esse remédio.

Erundina!

09Mai08

Aparentemente, Erundina aceita ser vice de Marta em SP. Se esse acordo for fechado, colocaremos um banner aí do lado. Quer dizer, se o PT esse ano disponibilizar banners, porque na última eleição foi um saco arrumar o do Suplicy.

Mesmo se não for feito o acordo, eu votaria na Marta se votasse em São Paulo, pelo bilhete único e a atenção à periferia, e apesar da estupidez atroz que foram os gastos do último ano. Mas com a Erundina, meu tipo de petista histórico, e que inspirou no Maluf o comentário “vejam como essa dona não fez nada: assumi a prefeitura e quase não tinha dívida!” (cito de cabeça), eu fico bem mais animado.

Uma vitória do PT em Sampa esse ano seria muito mais impressionante do que a da Marta da última vez, e mais parecida com a da Erundina, que se elegeu antes da instituição do segundo turno. Durante os anos 90, a eleição em SP era entre PT e PSDB para ver quem enfrentava Maluf no segundo turno. Quem fosse para o segundo turno ganhava com o apoio do outro, visto que apoiar Maluf era (felizmente) tabu, e o voto dividia mais ou menos em três. A transferência de voto acontecia mesmo se as direções estaduais não oficializassem apoio.

Agora Maluf ainda está aí, mas tende a sumir atropelado pelo Kassab. Só que contra o Kassab ainda não há tabu nenhum: o PSDB sem dúvida apoiaria Kassab contra Marta. Ou seja, para ganhar agora Marta precisa de uma maioria espetacular do eleitorado.

Inicialmente, eu achava que isso seria impossível. Mas o racha DEM + PSDBdoS+PMDBdoQ vs. PSDBdoA, e agora a aliança com a Erundina (que traz uns bons 5 a 10% do eleitorado) colocaram a Marta no jogo de novo.

 

Zimbabwe

09Mai08

Ótimo artigo do Christopher Hitchens sobre o problema político no Zimbabwe, desde a época do conflito sino-soviético, quando a URSS apoiava o CNA do Mandela e a atual oposição do Zimbabwe, enquanto a China apoiava o Mugabe e uma oposiçãozinha radical da Áfica do Sul que tomou um toco miserável nas eleições e sumiu. O cara pró-URSS (não é o atual líder da oposição), em um dado momento, resolveu tentar um acordo com o governo branco da África do Sul, e o CNA deu uma certa distância dele (o que ajuda a explicar a atual pelegada da África do Sul frente às atrocidades do Mugabe).

O Hitchens, que é chegado numa polêmica, lança a teoria de que o Mugabe tem inveja do Mandela, seu rival na liderança do movimento pan-africano, e resolveu desmontar qualquer coisa que parecesse mandelista no Zimbabwe. Sei lá.

Mas a boa notícia no artigo é a seguinte: os operários dos portos sul-africanos se recusaram a descarregar armas para o Zimbabwe:

“The stirring news—that the dockworkers of Durban, South Africa, had refused to unload a shipload of Chinese weapons ordered by the lawless government of Zimbabwe—made me remember very piercingly how good it sometimes felt to be a socialist. Here’s a clear-cut case of solidarity and internationalism in which the laboring class of one country affirms the rights—”concretely” affirms the rights, as we used to say—of its brothers and sisters in another country. In doing so, it improves the chances of democracy worldwide. This is how socialism began, with Karl Marx and his allies organizing a boycott of Confederate slave-harvested cotton during the American Civil War, and however often a thieving megalomaniac like Robert Mugabe claims to be a socialist, there are still brave and honest workers who, by contemptuously folding their arms, can deny him the sinews of oppression.”

O que também, suspeita o Hitchens, pode estar relacionado com a falecida questão sino-soviética:

“The leader of the Zimbabwean opposition, Morgan Tsvangirai, is a celebrated labor-union man. The South African unions have a long record of allegiance to old-line communism, highly disdainful of Maoist adventures and Chinese meddling. China may now be a capitalist dictatorship and Mugabe a capitalist dictator, but these are not the least of history’s ironies if it’s an old-style red-labor-union tactic that begins to bring Mugabe down.”

Interessante. A propósito, se interessar a alguém saber mais sobre o Hitchens (comprem o livro dele sobre o Orwell, é bem legal), a Prospect fez uma reportagem muito boa sobre ele.

Web-rolé

08Mai08

A blogosfera brasileira está animada.No Hermenauta, uma boa matéria sobre o PSDB, e a expectativa de um puta negócio importante. Matamoros dá uma disciplinada em todo mundo sobre a necessidade de segurar a política fiscal, agora sem a ajuda do homem. Amiano volta da lua-de-mel e descobre que Berlusconi ganhou (haja viagra depois dessa, mas ele sempre terá a vista de casa para animá-lo). O André anda vendo uns puta filme esquisito e estudando arte nos mosteiros. E, na mídia mais tradicional, Igor Taam manda todo mundo parar de fazer o que está fazendo e discutir se dá pra aplicar as idéias do Hermano de Soto no Brasil.

Do Noblat:

“Outro dia, o governador de São Paulo José Serra (PSDB), aspirante à vaga de Lula, alertou seus companheiros de partido: “Se continuarem tratando a Dilma dessa forma ela acabará emplacando como candidata. E com chances reais de vencer”.

Ontem Dilma deixou de ser a candidata que ia fazer presença para ser uma concorrente de verdade. Vejam como são as coisas. Como diria o América do México, “pô, os caras estão jogando do nosso lado, também?”

Aí é foda.

Bom, eu posso rir aqui no notebook tomando minha coca-cola. Mas amanhã um monte de nego pobre como esses caras já foram até outro dia vai encarar trem lotado, espera de ônibus na chuva, chefe filhadaputa, filho chorando com fome e tiroteio na vizinhança com menos disposição.

E hoje ficou impossível uma final de libertadores entre Flamengo e Boca Juniors no Maracanã, pelo menos esse ano. É como se alguém cagasse pra cima na hora que o MIchelangelo estava pintando o teto da Capela Sistina.

Eu tinha levado na brincadeira, mas depois que vi o vídeo não vai dar, não. Agripino Maia, como Jair Bolsonaro antes dele devia ter sido, deve ser cassado imediatamente por falta de decoro parlamentar.

Ninguém pode explorar a tortura alheia para atacá-lo politicamente. Isto é, como se diz em inglês, beyond the pale. Imaginem um ex-franquista fazendo isso em uma CPI na Espanha, um ex-SS ou ex-Stasi fazendo isso no parlamento alemão. Imaginem um ex-KKK no Senado americano perguntando para o Obama, “na época em que a gente enforcava vocês em árvore, você mentia muito?”.

[aqui, na versão original, eu dizia que Agripino Maia não mentiu na ditadura porque estava com o pau do Médici na boca e só conseguia dizer "Ffim Ffenhor". Como sou educado, apaguei essa parte]

E querem que eu chame esse partido de “Democratas”.

E tem gente que diz: mas os revolucionários queriam instaurar outra ditadura. E é verdade (deixemos de lado, por um momento, o fato de que a radicalização de cem estudantes é incomparável com a radicalização de um estrato profissional que tinha como primeira obrigação defender a ordem legal instituída, e que, após o golpe, combateu seus adversários sem o menor respeito pelas leis da guerra).

Agora, se as Dilmas, os Dirceus e os Gabeiras da vida tivessem ganho, teriam sido fuzilados em tribunais revolucionários como a grande maioria dos revolucionários sinceros nas ditaduras comunistas. E o regime seria governado pelos lacaios oportunistas que adeririam a qualquer tipo de poder suficientemente facista, como Agripino, e Bolsonaro.

Dinamarca

07Mai08

Meu tipo de Social-Democracia: pouca coisa regulada, inclusive no mercado de trabalho, mas muita taxação e muita rede de proteção, em especial no re-treinamento da força de trabalho.

Músicas de 68

07Mai08

Coletânea de músicas que fizeram sucesso com a galera de Maio de 68 em Paris (hat tip: Carlas Rodrigues).

O André d’A Volta fez um post bacana sobre 68, e promete mais. O Idelber também, e a própria Carla Rodrigues. Começaremos nossa série amanhã, e vou tentar fazer um negócio diferente. Já que todo mundo sabe mais que eu sobre o Maio francês, vou fazer uns posts sobre a Primavera de Praga (daqui a alguns dias).

Como raspar o que sobrou de Agripino Maia da sola de seu sapato depois dessa conversa?